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31/03/2010

Ric Hochet, 55 anos

Ric Hochet, o simpático jornalista parisiense com propensão para investigar crimes, criado por André-Paul Duchateau e Tibet, completou ontem 55 anos e a festa poderia ser bem maior, se o desenhador não tivesse falecido no passado dia 12 de Janeiro.
Mesmo assim, a data fica marcada pelo lançamento este mês de dois novos títulos pela Lombard. O primeiro, é o 77º álbum das suas aventuras aos quadradinhos, que Tibet deixou pronto (bem como as 28 primeiras pranchas do tomo seguinte, que deverá ser concluído por outro desenhador), intitulado “Ici 77!”, em que Ric Hochet tem que investigar o caso de um louco que quer tornar-se argumentista de uma série policial tendo-o a ele por protagonista, provocando uma série de atentados para o forçar a aceitar. O segundo lançamento é uma estreia, pois trata-se de um romance, o primeiro protagonizado por Ric, escrito por Duchateau - com um toque autobiográfico - que tem por título “Reconnaissance de meurtres” e é uma espécie de auto-retrato em forma de relato policial, no qual o jornalista narra, na primeira pessoa, o seu primeiro inquérito.
Quando Ric Hochet surgiu pela primeira vez, na revista belga “Tintin”, a 30 de Março de 1955, tinha apenas 13 anos e era protagonista de enigmas policiais ilustrados que os leitores eram desafiados a desvendar. O sucesso levou-o rapidamente para os quadradinhos (e para a idade adulta), com um traço mais realista, onde as aventuras, partilhadas com o comissário Bourbon e a sua sobrinha Nadine (mais tarde sua esposa), recheadas de mistério e acção, frequentemente com um toque de fantástico, envolvendo-se com criminosos vulgares, seitas secretas, seres do passado, extraterrestres, crimes pela Internet e fazendo mesmo uma investigação nos bastidores do festival de BD de Angoulême ("B.D. meurtres"), o tornaram um dos sustentáculos da revista.
Cabeleira farta e volumosa, sempre impecável, indumentária inalterável (jeans azuis, camisola de gola alta vermelha e blazer branco-sujo ou gabardina bege, de que possui inúmeros exemplares no seu guarda-fatos), a capacidade recorrente de destruir o carro (sempre um Porsche amarelo!) e um incontornável faro jornalístico para crimes e confusões são as suas imagens de marca, que impôs também em Portugal onde, para além das páginas da versão nacional da revista "Tintin", teve histórias curtas publicadas no "Mundo de Aventuras" e noutras revistas, tendo sido editados alguns álbuns, nos anos 70 e 80 (pela Bertrand e pela Futura) e mais recentemente nas colecções Série de Ouro (do Correio da Manhã) e Clássicos da Revista Tintin (do Público).
Ric Hochet foi homenageado pelos correios belgas, num selo dividido com Chick Bill, em 1998, protagoniza um dos célebres murais do percurso BD da cidade de Bruxelas e, desde 2002, Roquebrune-sur-Argens, na Côte d'Azur, onde Tibet passava as suas férias, deu o seu nome a uma avenida.

(Versão revista e actualizada dos textos publicados no Jornal de Notícias de 30 de Março de 2005 e 30 de Março de 2010)

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