Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

30/09/2010

As Melhores Leituras de Setembro


Tintin no País dos Sovietes, Tintin no Congo, Tintin na América (Edições ASA, nova tradução), de Hergé

J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga #65, #66, #67 (Mythos Editora), de Giancarlo Berardi (argumento), Enio, Marco Jannì e Thomas Campi (desenho)

Jerry Spring L'Intégrale en noir et blanc #1 - 1954/1955 (Dupuis), de Jijé

André Carrilho - O Rosto do Alpinista (Assírio & Alvim + El Corte Inglés), de João Paulo Cotrim

Sous-sols (Futuropolis), de Pierre Wazem (argumento) e Tom Tirabosco (desenho)

Tif e Tondu - L'intégrale #1 (Dupuis), de Rosy (argumento) e Will (desenho)

Tex Gigante #23 – Patagónia (Mythos Editora), de Mauro Boselli (argumento) e Pasquale Frisenda (desenho)

Happy Sex (Edições ASA), de Zep

Blacksad #4 - O inferno, o silêncio (Edições ASA), de Díaz Canales (argumento) e Janjo Guarnido (desenho)

29/09/2010

Blacksad #4 – O inferno, o silêncio

Juan Días Canales (Argumento)
Juanjo Guarnido (desenho e cor)
Edições ASA (Portugal, Setembro de 2010)
240 x 320 mm, 56 p., cor, cartonado


Resumo
Blacksad e Weekly vão a Nova Orleães para procurarem Sebastian “Little Hand” Fletcher, um pianista de jazz (deficiente de uma mão!) caído em desgraça pelo seu vício de heroína, a pedido de Fausto Lachapelle, ex-músico medíocre e produtor musical bem sucedido com um cancro em fase terminal.
À medida que a investigação decorre, o felino descobre que nem tudo é o que parece é e que há segredos escondidos que alguns querem que permaneçam assim.

Desenvolvimento
Se “grandes poderes trazem grandes responsa-bilidades”, “bons álbuns aumentam a expectativa para novos álbuns”. É o caso de Blacksad, cujos três primeiros tomos satisfizeram leitores e críticos (não, não interpretem mal, estes também são leitores!). Com justiça, diga-se.
Por isso - e porque mediaram cinco anos entre o anterior “Alma Vermelha” e este “O inferno, o silêncio” – pode bem escrever-se que este era uma dos mais aguardados lançamentos do ano. E o mínimo que se pode escrever é que a espera valeu a pena e que os autores justificaram o tempo dispendido.
Desde logo porque, em minha opinião, em termos de argumento este é o mais conseguido da série. Pela consistência da história. Pela sua originalidade, mais distante dos clichés do policial negro que lhe servem de base. Pela bela homenagem e pelo vibrante retrato traçado de Nova Orleães enquanto “pátria” do jazz. Pela forma subtil como explora os sentimentos dos intervenientes: o medo da morte, a fraqueza de uns, a ganância de outros, com amores (desencontrados…?) pelo meio…
A procura do pianista desaparecido (melhor, escondido), vai levar Blacksad a mergulhar na cena musical de Nova Orleães, enfrentando alguns dissabores e situações complicadas, descobrindo histórias antigas e segredos escondidos, que justificam e explicam comportamentos que à partida deveriam ser diferentes, fazendo com que “maus” e “bons” troquem de lugar – embora em abono da verdade seja necessário esclarecer que os animais em Blacksad (tal como os humanos que representam) são complexos e multifacetados. O próprio Blacksad, surge nesta história mais humanizado - com (um improvável) anjo da guarda (?) e tudo -, mais despido da sua aura de (falso) duro, revelando até um coração sensível no (algo inesperado) final.
A espera valeu a pena, também, porque Guarnido continua a deslumbrar-nos com o seu traço, as suas magníficas aguarelas, o dinamismo das vinhetas e pranchas, a qualidade dos pormenores, a planificação multifacetada e dinâmica, a belíssima e superior utilização da cor para definir ambientes e estados de espírito, a capacidade de nos surpreender pela forma como resolve algumas cenas… Querem exemplos de momentos que nos levam a perder-nos em contemplação e descoberta? Vejam o hiper-violento embate das pranchas 10 e 11, o (quase) bucólico encontro de Blacksad com Thomas Lachapelle, filho de Fasto, pontuado pelas sombras da folhagem envolvente (pp. 18-19), o ambiente místico da sessão espírita de Madame Gibraltar (pp. 28-29), a alegria esfusiante da festa carnavalesca (pp. 32-33)…
Curiosamente, se um dos trunfos dos primeiros álbuns era a associação das personagens às características do animal que as interpretava, esse efeito surge mais diluído nesta nova incursão pelo universo de Blacksad, talvez pela ausência da novidade, talvez pela maior consistência da história já referida que reduz a importância deste factor O que não quer dizer que o carneiro decadente (Fausto), o detective hipopótamo, o rafeiro (Sebastian), o cavalo drogado ou a chimpanzé Madame Gibraltar não cumpram com distinção neste aspecto, juntando-se com mérito a uma já notável galeria.

A reter
- A história, pela consistência e belo retrato da cena musical de Nova Orleães.
- A arte integral de Guarnido.
- O trabalho editorial das Edições ASA que garantiram a edição nacional (quase…) em simultâneo com a edição original francófona.

Menos conseguido
- A FNAC tem garantido com a ASA algumas edições com capa especial, inclusão de posters/reproduções (como acontece neste álbum) ou mesmo a venda exclusiva antecipada de alguns desses títulos. Por isso, não se percebe como algumas destas obras têm destaque reduzido nem tão pouco a sua mistura com as edições em língua francesa.

Curiosidade
- A contracapa do livro na sequência da lista dos álbuns “Já publicados”, anuncia um “Tomo 5” como “A publicar”. Espera-se que seja indicador de uma espera mais curta do que a levou à publicação deste álbum.

28/09/2010

Tif et Tondu

#1 – Le Diabolique M. Choc
Les Intégrales Dupuis
Rosy (argumento)
Will (desenho)
Dupuis (Bélgica, Março de 2007)
218 x 286 mm, 160 p., cor, cartonado


Resumo
Este é o primeiro tomo da republicação integral das aventuras de Tif e Tondu - que durante décadas foram um dos sustentáculos da revista belga “Spirou” - aqui agrupadas por temáticas.
Este volume inicial, para além de um dossier sobre a série e os seus criadores, inclui as histórias “La Main blanche”, “Le retour de Choc” e “Passez Muscade”, originalmente publicadas em 1955 e 1956, e respectivamente 4º, 5º e 6º álbuns da dupla.

Desenvolvimento
Sim, este é mais um (excelente) integral francófono presente na minha bedeteca, um tipo de edição cada vez mais vulgar nos catálogos de editoras como a Dupuis, a Dargaud ou a Lombard.
Neste caso, reúne três aventuras marcantes da dupla Tif e Tondu, correspondentes aos primeiros embates com Monsieur Choc, o seu grande rival.
Antes disso, no entanto, o ponto forte da edição: o dossier, com muitas ilustrações e documentos, alguns deles inéditos, que mostram a pré-história da dupla – quando Tondu, o barbudo, era ainda um…selvagem! Porque antes de adquirirem o visual que hoje lhes conhecemos, Tif e Tondu deram algumas voltas. A começar pelo facto de Tif ter nascido sozinho, em 1938, só depois tendo conhecido o seu companheiro. Este dossier inclui igualmente apontamentos sobre o vilão de serviço, a relação dos autores, a sua forma de trabalhar e outros documentos da época, que revelam um tempo e uma forma de estar e de fazer BD hoje (quase) inimaginável.
As aventuras de Tif e Tondu, de forte pendor aventuroso e policial, são simples e (hoje) algo ingénuas, tramas lineares, com suspense e acção, mas cativantes e, de certeza, apelativas para os jovens a quem então se dirigiam. Em suma, pode dizer-se que são bem representativas de uma certa época da banda desenhada franco-belga.
As três histórias aqui incluídas, narram outras tantas vitórias (sempre incompletas, para assegurar futuras continuações) sobre o recorrente vilão - “um dos maiores génios do mal do planeta” - cuja face está sempre oculta, geralmente por um elmo metálico. Este facto, a par da sua inteligência – revelada na complexidade dos planos que elabora - e da sua elegância - até quando comparado com as restantes personagens, mais próximas do padrão humorístico franco-belga (baixas, de traços arredondados, narizes grandes, um certo ar caricatural), se assim posso escrever – aumenta a sua aura de mistério e cria mesmo uma certa simpatia junto dos leitores.
A presença de Tif e Tondu oscila entre protagonistas involuntários (mais no início do volume) e motores da acção (na sua parte final, assumindo progressivamente o seu papel de “heróis”), sendo o todo de leitura agradável, embora estas histórias não atinjam o nível do Spirou, de Franquin, ou do Gil Jourdan, de Tillieux, para citar outros dois pilares da revista “Spirou”, contemporâneos de Tif e Tondu.
Graficamente, a linha clara de Will, servida por cores quentes e planas, é de uma grande legibilidade, sendo o seu traço dinâmico e diversificado q.b., para cativar o leitor e assegurar o ritmo de leitura adequado.

A reter
- O formato, o dossier, a recuperação de clássicos, o preço…

Menos conseguido
- Se admiro a restauração (e actualização…) das cores originais, confesso que preferia o aspecto retro (as tramas visíveis nas manchas de cor, as bochechas rosadas, o tom amarelado das margens das páginas…) visível nalgumas das reproduções de páginas originais da revista “Spirou” incluídas na edição…

Curiosidades
- Até ao momento a Dupuis já publicou sete tomos desta colecção.
- Naturalmente, Tif e Tondu fizeram parte dos sumários das duas vidas que a revista “Spirou” teve em Portugal, tendo também passado (pelo menos) pelas páginas do “Jacaré” e do “Jornal da BD”.

27/09/2010

Sous-sols

Pierre Wazem (argumento)
Tom Tirabosco (desenho)
Futuropolis (França, Agosto de 2010)
200 x 300 mm, 120 p., bicromia, cartonado


Resumo
Uma experiência com o acelerador de partículas do CERN (Conseil Européen pour la Recherche Nucléaire), aparentemente “engole” o sol, mergulhando uma cidade e os seus arredores na escuridão há já três semanas, provocando medo, desespero, motins, em resumo, o caos.
Um dos seus habitantes, uma jovem que sempre teve problemas de relacionamento e integração, adormece e acorda nos subterrâneos daquele equipamento, onde encontra um cientista perdido desde que a experiência teve lugar.

Desenvolvimento
Se o ponto de partida desta história desenvolvida pelos suíços Wazem e Tirabosco é a hipótese científica da absorção da luz por um buraco negro, a narrativa pouco tem de científico – e o pouco que tem é distorcido de forma deliciosa pelo argumentista para servir o seu relato - desenvolvendo-se numa ténue fronteira entre a realidade e o fantástico, mas com um tom íntimo, doce e sereno, que não deixa de surpreender e atrair o leitor
A protagonista – sem nome no relato – procura uma irmã gémea desaparecida durante um sono profundo, mas também a si mesma. Desde nova teve grandes dificuldades de relacionamento e de integração, vivendo como que num casulo, isolada do mundo, longe dos outros, fechada em si mesma. Com os seus medos e sonhos; recalcando desejos, procurando esquecer experiências traumáticas, numa cidade impessoal como – cada vez mais – são todas as cidades, desenvolvendo desde muito cedo uma realidade paralela onde se refugiou (e ainda vive?).
Com ela, vão-se cruzando o tal cientista, também perdido nos subterrâneos, a esposa deste que acaba de evitar um assalto feito por um jovem, ex-colega da protagonista.
O relato é estranho, ou melhor, estranhos são alguns dos seus acontecimentos: o assalto falhado, os laços desconhecidos que parecem unir todos os intervenientes, a gémea que dorme três semanas seguidas e desaparece durante o sono… A ponto de o leitor colocar em causa alguns deles e até a existência de todas as personagens.
Os encontros entre eles são serenos – excepto quando os monstros interiores do passado que o tempo não conseguiu vencer/esquecer conseguem quebrar as amarras a que foram sujeitos – surgindo nas suas conversas mais dúvidas do que certezas, mais perguntas do que respostas. Tantas quantas as dúvidas que ficam no leitor no final do relato – em aberto e com muitas pistas que obrigam a nova(s) releitura(s) e possibilitam várias interpretações.
Como certeza, fica a convicção de que Wazem e Tirabosco, como uma curta galeria de personagens, conseguiram, de forma sensível e terna, conduzir-nos num relato – cuja leitura não é fácil, concordo - pausado e íntimo pelo interior do ser humano, as suas recordações, a sua fragilidade, a solidão, o tempo da infância que acaba tão cedo (às vezes tão abruptamente...), com o qual provocam sensações antagónicas de serenidade e inquietude.
A reter
- O traço arredondado, grosso e expressivo dos lápis de Tirabosco, assente nas três cores por que optou – preto, branco, azul – e na forma como trabalha as texturas para obter volume, bem adaptado ao ritmo lento da história
- O tom sereno e ao mesmo tempo inquietante do relato, que decorre num mundo onírico à beira da catástrofe iminente.
- A forma como a história é apresentada que, se de início provoca alguma estranheza, com a continuação obriga o leitor a embrenhar-se nela, avançando e recuando para conseguir estabelecer pontos de equilíbrio e desfrutar plenamente dela.

24/09/2010

Bernard Prince - Menace sur le fleuve

Yves H.(argumento)
Hermann (argumento e desenho)
Le Lombard (França, Setembro de 2010)
220x298 mm, 48 p., cor, cartonado

É posto hoje à venda no mercado francófono o 18º tomo das aventuras de Bernard Prince (dos quais cerca de metade foram editados em álbum em Portugal), intitulado “Menace sur le fleuve”.
Herói criado no Tintin belga em 1966 por Greg (argumento) e Hermann (desenho), Prince o marinheiro ex-agente da Interpol, marcou uma época juntamente com os seus companheiros Barney Jordan, um marujo experiente e irrascível, e Djinn, um adolescente curioso e destemido, num tempo em que a banda desenhada franco-belga trilhava alegremente o caminho da aventura, tal como o Cormoran, barco dos três heróis em causa, singrava os mares.
Ao fim de 13 álbuns, Hermann, chamado por temáticas mais adultas, abandonou Prince, que viveria ainda mais quatro histórias escritas por Greg, e divididas em partes iguais por Dany e Aidans, no que respeita ao desenho.
Agora, 22 anos depois desse abandono, Hermann regressa a um dos heróis que nos fez felizes. E a ele também embora “não o tenha feito por nostalgia”, uma vez que a ideia partiu do seu filho Yves H., como o veterano desenhador contou durante o Festival de BD de Beja, em Maio último. E se no principio Hermann recusou, hoje reconhece que o filho “tinha razão”.
A editora Lombard “ficou encantada com a perspectiva” e o projecto avançou. Se de início Hermann não gostou “muito de regressar a este passado”, aos poucos os seus sentimentos mudaram e acabou por ser “uma experiência muito agradável”. As reacções foram desde logo “muito boas, houve muita receptividade”, tanto que Ives H. “já disse que se funcionar bem quer escrever outro”!
O argumento original “era bom, mas não era uma história à Greg”, pelo que o desenhador achou necessário acrescentar “algumas ideias nesse sentido”, para não haver uma ruptura demasiado grande com o passado de Bernard Prince, embora “as diferenças sejam grandes”. Não só porque “os tempos são outros” mas também porque as “últimas histórias de Greg já não eram tão boas, há quem diga que ele tinha perdido o ‘fogo sagrado’, mas o “facto de fazer histórias para 10 pessoas ao mesmo tempo também não ajudava”.
Em “Menace sur le fleuve” Prince, Jordan e Djinn regressam à América Latina, numa aventura onde vão reencontrar velhos conhecidos, como El Lobo e alguém que procura uma vingança. Um puro relato de aventura e acção, com ritmo e adrenalida q.b., que segundo Yves H., terminará “num combate mortal em que o gosto de sangue e lama se misturarão”.
A Vitamina BD que tem editado praticamente toda a bibliografia recente de Hermann, acompanhará também esta edição, sendo que a versão nacional – intitulada “Ameaça sobre o rio” – será “impressa nesta ou na próxima semana”, conforme revelou o seu editor, Pedro Silva. Por isso, “o livro poderá - não é uma certeza - ser colocado à venda no final de Outubro”, possivelmente só “na BdMania e em mais duas ou três lojas que ainda se vão aguentando e pagando”. As velhas questões relacionadas com as dificuldades de distribuição e pagamento possivelmente invalidarão a sua chegada “ao resto dos pontos de venda”.

23/09/2010

Fantôme

Suk Jung-hyun (argumento e desenho)
Casterman (França, Abril de 2007)
170 x 241 mm, 200 p., cor, brochado com sobrecapa


Devido à coexistência (nos mercados ocidentais) de comics, BD franco-belga e mangas, e às múltiplas influências que daí resultam, alguns acreditam que no futuro (não tão distante) toda a produção de BD convergirá para um mesmo padrão. Tenho dúvidas, porque continuo a acreditar na capacidade criativa dos autores.
Não sendo exemplo disto, até porque tal ainda não se concretizou, este "Fantôme", de Suk Jung-hyun, ilustra, de alguma forma, como tal se poderá traduzir: o traço, hiper-realista, e as cores estão mais próximos do conceito europeu de BD do que daquilo que costumamos associar (do que conhecemos?) à produção asiática; o desenvolvimento dos diálogos e as várias cenas de acção têm indiscutivelmente a marca manga (nu caso manhwa - BD coreana); a teoria de conspiração subjacente ao argumento, apela a uma temática bem americana.
Servida por uma planificação cinematográfica e dinâmica, a história, passada num futuro próximo, em que um cataclismo natural reduziu drasticamente a população, agora reunida num único estado, trazendo a vantagem do fim das guerras - mas também a necessidade de criar tensões para justificar a única força policial existente e a sua relação com um canal de TV -, lê-se bem e permite arriscar a extrapolação de que a massificação referida terá aspectos positivos quando significar o aproveitamento do que cada um daqueles géneros tem de melhor.

(Texto publicado na página de Livros do Jornal de Notícias de 27 de Maio de 2007)

22/09/2010

Comment le cancer m'a fait aimer la télé et les mots croisés

Miriam Engelberg (argumento e desenho)
Delcourt (França, Fevereiro de 2007)
165x230 mm, 144 p., pb, brochado com badanas

Este é o diário da convivência da norte-americana Miriam Engelberg, com o seu cancro da mama, desde a sua descoberta, passando pelas diversas fases subsequentes: estados de depressão, desânimo, negação, raiva, operação, radioterapia, quimioterapia, etc.
O que surpreende nesta obra, servida por um desenho pouco menos do que incipiente, mas de leitura fácil e fluente, é a exposição total de Miriam, com os seus temores e as suas ansiedades, perdida perante a reviravolta que a doença provocou na sua vida, como numa primeira fase tentou ignorar a incontornável nova realidade, através de técnicas de "esvaziamento mental" (palavras cruzadas, consumo obsessivo de televisão) - e como viria a encontrar a via "salvadora" na realização de BD, quer enquanto terapia, quer enquanto realização de um sonho de sempre - a rejeição sistemática à religião (e principalmente aos "religiosos"), e expondo questões como o desconforto da operação, os vómitos, o (difícil) relacionamento com os outros, as relações sexuais, a escolha de uma peruca, etc.
Ao mesmo tempo, o tom da abordagem é cáustico e irónico, de um humor desconcertante, atenuando o peso do drama, sem, no entanto, lhe retirar o seu lado emocional e extremamente doloroso.
Miriam Engelberg faleceu em 2006 após a publicação do seu livro nos Estados Unidos.

(Texto publicado no Jornal de Notícias de 21 de Janeiro de 2010)

21/09/2010

Gus, #1 – Nathalie

Christophe Blain (argumento e desenho)
Dargaud (França, Janeiro de 2007)
245 x 298 mm, 80 p., cor, cartonado


Christophe Blain, como outros autores da sua geração (Sfar, Guibert…). encara a BD, antes de tudo, como um meio para contar histórias. Isso era já notório em "Le Réducteur de Vitesse", com que se revelou em 1999, ou em "Isaac, o pirata", de que a Polvo editou em português três tomos.
E é visível também em "Gus, #1 - Nathalie" (Dargaud), um western, desconcer-tante e atípico (no bom sentido), que poderia igualmente ser um conto medieval, actual ou de ficção-científica, pois o seu propósito é divagar sob a forma como os homens se relacionam (ou não…) com as mulheres. Para isso, apresenta-nos Gus, Clem e Gratt, três salteadores (pontualmente xerifes!) bem sucedidos na sua vida de pilhagens, mas insatisfeitos na busca das suas "almas gémeas".
Numa história sensível mas irónica (que se adivinha) nascida ao correr da pena, que combina habilmente o real com os pensamentos, sentimentos e desejos dos intervenientes, Blain concede-se (e a nós) uma imensa liberdade gráfica, esquecendo questões "clássicas" como as proporções do corpo humano ou a constância da aparência das personagens, para colocar o seu traço simples e nervoso, parco em pormenores mas admiravelmente expressivo, sensual no tratamento das personagens femininas e capaz até de ser evocativo, ao serviço de uma total eficácia narrativa, que prende e carrega o leitor até à última e significativa prancha.

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 14 de Janeiro de 2007)

20/09/2010

As Aventuras de Tintin repórter do “Petit Vingtième” no País dos Sovietes

Hergé (argumento e desenho)
Edições ASA (Portugal, Setembro de 2010)
160 x 220 mm, 142 p., cor, cartonado


5+1 Razões para ler este álbum

1. Para descobrir a “pré-história” de uma das mais importantes obras gráficas e literárias do século XX.

2. Como documento da forma de pensar de uma determinada época.

3. Para descobrir as influências do cinema (mudo) em Tintin.

4. Para descobrir como surgiu a poupa de Tintin.

5. Para admirar a única vez que Tintin foi visto a escrever uma reportagem.

+1. Qualquer razão é válida e boa para ler um álbum de Tintin.


18/09/2010

Leituras Marvel de Setembro

Títulos da Marvel editados pela Panini Comics (Brasil) distribuídos este mês nas bancas portuguesas:

Homem-Aranha #98
Os Novos Vingadores #73
X-Men #98
Avante Vingadores #37
Universo Marvel #55
Wolverine #62

17/09/2010

Blacksad: um novo álbum e um filme

As Edições Asa distribuem hoje nas livrarias FNAC, em simultâneo com a edição original francesa, o álbum “Blacksad: O inferno, o silêncio”, quarto tomo desta série escrita por Juan Díaz Canales e desenhada por Juanjo Guarnido. O álbum chegará às restantes livarias do país em Outubro.
Premiada um pouco por todo o mundo e tendo conquistado os favores do público e da crítica, “Blacksad”, que retoma a tradição dos grandes autores do género, é um policial negro ambientado em meados do século XX que nos primeiros três álbuns revisitou temas como a intriga em meios cinematográficos (em "Algures entre as sombras"), o racismo e o Ku-Klux-Klan ("Artic nation") ou a caça aos comunistas nos EUA ("Alma vermelha"). No novo álbum, que sai após um intervalo de 5 anos, encontramos o detective na meca do jazz, Nova Orleães, à procura de um pianista toxicodependente.
A principal marca distintiva desta série é, no entanto, o seu grafismo pois, em “Blacksad”, todos são animais antropomorfizados, cujas características correspondem às das personagens que interpretam. Assim, o detective que o protagoniza é um ágil felino, os duros que tem de enfrentar gorilas, ursos, rinoce-rontes ou lobos, as personagens femininas, belas e sensuais, são gatas ou leopardos, etc. A par disso, o desenho, hiper-realista e servido por belas cores, é magnífico, notando-se ao nível da composição das pranchas e do ritmo imposto à narrativa, as influências do trabalho de Guarnido como animador nos Estúdios Disney
A série, integralmente editada em português pela Asa, conta ainda com um álbum especial intitulado “Blacksad - Os bastidores do inquérito”, ilustrado com múltiplos esboços, estudos e desenhos inéditos e em que os dois autores revelam a génese do herói e a sua forma de trabalhar.
Entretanto, Blacksad pode estar em vias de ser transposto para o grande écrã, pois o realizador Alexandre Aja (“Piranha 3d”) revelou estar interessado no projecto, em parceria com Thomas Langmann. Este último já esteve envolvido em adaptações cinematográficas doutros heróis dos quadradinhos, nomeadamente Astérix e Blueberry.

(Versão revista e aumentada do texto publicado no Jornal de Notícias de 17 de Setembro de 2010)

E a propósito deste lan-çamento, deixo o texto publicado na coluna “Aos Quadra-dinhos”, no Jornal de Notícias de 17 de Setembro de 2002 , aquando da edição do primeiro tomo da série em Portugal:

Tal como o western, sobre o qual escrevi nesta coluna, há poucas semanas, também o policial tem sido ciclicamente reinventado, situando a acção em passados históricos ou futuros imaginários, ou através de novos protagonistas, sejam eles homens ou mulheres, detectives particulares ou polícias oficiais, musculosos ou de grande capacidade dedutiva.
E esta reinvenção pode acontecer, mesmo quando a história contada já o foi centenas ou milhares de vezes como é o caso de “Blacksad, tomo 1 – Algures entre as sombras”- Nele, a história, escrita pelo espanhol Juan Diaz Canales, gira à volta do assassínio de uma bela actriz, que passou a andar em companhias pouco recomendáveis após ter sido deixada pelo herói da história, um detective privado que, como é normal, não goza das melhores relações com a polícia, embora, por vezes, possam cooperar no interesse mútuo.
“Então, pensa o leitor, “se a história - que realmente parece seguir os clichés do género - não é o grande trunfo do álbum, este deve destacar-se pelo seu desenho”. E esta dedução, é sem dúvida verdadeira. O também espanhol Juanjo Guarnido, assina em “Blacksad” uma obra de encher o olho, com um excelente desenho onde, em especial ao nível do ritmo que imprime à narrativa, se notam as influências do seu trabalho como animador dos Estúdios Disney, onde participou nas longas-metragens “O Corcunda de Notre-Dame”, “Hércules” e “Atlântida”.
“Mas pode um desenho, por muito vistoso, espectacular e/ou ritmado que seja, ser responsável pela reinvenção de um género literário com tantas tradições como o policial?”, volta a interrogar-se o leitor.
Sim, escrevo eu. E sim porque, há um pormenor que ainda não referi. Em “Blacksad”, as personagens são animais antropo-morfizados, e este é o toque de génio, que torna a obra diferente e de leitura obrigatória. Porque em “Blacksad”, o “detective ágil como um felino” é um... gato, os duros que o enfrentam são, logicamente... gorilas (ou ursos pardos, ou rinocerontes), a bela e sensual actriz é uma... gata, e por aí adiante, com alguns verdadeiros achados que eu deixo ao leitor descobrir, para que a leitura de “Blacksad” o possa surpreender e agradar tanto como a mim.

16/09/2010

Leituras DC Comics de Setembro

Títulos da DC Comics editados pela Panini Comics (Brasil) distribuídos este mês nas bancas portuguesas:

Batman #87
Superman #87
Superman & Batman #55
Liga da Justiça #86

15/09/2010

Tex Edição de Ouro #45 – O Passado de Kit Carson

Mauro Boselli (argumento)
Marcello (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Novembro de 2009)
135 x 177 mm, 332 p., pb, brochado


Resumo

Após 25 anos de separação, os sobreviventes da temível quadrilha conhecida como Os Inocentes voltam a reunir-se, para levarem a cabo uma vingança há muito ansiada.
Ao mesmo tempo, Tex Willer e o seu filho, Kit, chegam a Tucson para se encontrarem com Kit Carson, mas descobrem que este partiu para Bannock, após ter liquidado um elemento daquela quadrilha. Enquanto seguem no encalço do seu amigo, Tex aproveita para contar ao filho um episódio do passado daquele, recheado de crime, violência e ódio, evocando as razões para tudo voltar a despertar agora, um quarto de século volvido. Nesse episódio está incluída uma relação romântica de Kit Carson, da qual pode ter nascido uma bela jovem.

Desenvolvimento
1.
Soa a contradição – é-o sem dúvida – mas um dos segredos da longevidade de Tex – mais de 60 anos e algumas centenas de histórias – é, por um lado, a fidelidade a um modelo (estereotipado) o western puro e duro e, por outro lado, a capacidade regular de inovação e renovação dentro desse modelo em histórias que geralmente destoam (para melhor) da média habitual da série.
O Passado de Kit Carson é um desses casos.
2. Habituados, na banda desenhada clássica, a heróis mais ou menos eternos, descobrir que têm um passado – ou que passaram a tê-lo… - é sempre uma surpresa. Mas também uma forma de o autor dar consistência à criação, tornando-a mais credível, mais humana, mais próxima dos leitores que seguem as suas andanças. É isso que acontece em O Passado de Kit Carson, com o aliciante de incluir uma antiga relação romântica do ranger.
3. Curiosamente, o escritor de O Passado de Kit Carson é Mauro Boselli, mais conhecido como argumentista do (menos interessante) Zagor, que nesta data (1994) fazia a sua estreia em Tex.
4. Uma estreia que tem de ser qualificada como de luxo, em que construiu uma das mais interes-santes histórias do ranger e dos seus amigos, em que alterna a acção no presente com longos flashbacks que ajudam o leitor a entender as razões do que se passa no tempo actual. Este recurso, dá também um menor protagonismo aos heróis, ausentes nalgumas dezenas de páginas da longa história, ajudando a narrativa a respirar e a ganhar consistência.
5. Os vários elementos presentes – a origem e intenções da quadrilha dos inocentes, no passado e no presente; a relação de Kit com o xerife Ray Clemonds e a bela Lena, que constituem um autêntico triângulo amoroso; a trágica história da cidade de Bannock; a força dos diversos sentimentos presentes: amor, ódio, amizade, coragem, raiva, vingança;, o papel relevante das figuras femininas; a longa e bem caracterizada galeria de personagens, a aproximação de Tex e do filho ao momento presente; o clímax final - são bem geridos e doseados, com diálogos, acção, suspense e surpresas q.b., originando um relato interessante, denso, bem urdido e explanado, com tudo o que é necessário para agradar aos amantes do western em particular e aos de banda desenhada de aventuras em geral.
6. Sei que muitos vão discordar, mas pessoal-mente lamento que tenha sido Carlo Marcello (1929-2007) o escolhido para a desenhar. Ou pelo menos que o seu desenho não tenha estado sempre ao melhor nível que demonstra em diversas páginas, pois os desequilíbrios gráficos são demasiados para se explicarem apenas pela extensão do relato e pelos prazos a cumprir. Porque se há alturas em que os rostos, corpos humanos, animais, cenários e jogos de luz e sombras se revelam primorosos, noutras páginas a escassez de tempo (ou o recurso a assistentes?) é por demais notória.


(Texto publicado originalmente no Tex Willer Blog)

14/09/2010

Leituras da Turma da Mónica de Setembro

Títulos da Turma da Mônica editados pela Panini Comics (Brasil) distribuídos este mês nas bancas portuguesas:

Mônica #39
Cebolinha #39
Cascão #39
Chico Bento #39
Magali #39
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13/09/2010

Jerry Spring - L'intégrale en noir et blanc - Tome 1 – 1954/1955

Jijé (argumento e desenho)
Dupuis (Bélgica, Agosto de 2010)
218 x 230 mm, 240 p., cor, cartonado

Resumo

Primeiro volume da edição integral a preto e branco de Jerry Spring, reúne os álbuns “Golden Creek (Le secret de la mine abandonnée)", “Yucca Ranch", "Lune d'argent" e "Trafic d'armes", originalmente publicados em 1954 e 1955.

Desenvolvimento
Pertenço a uma geração para quem o western era (um)a (das) aventura(s) em estado puro. E ainda é!
Por isso – e como leitor do “Mundo de Aventuras”, que me formou para um gosto eclético dentro dos quadradinhos – Jerry Spring foi um dos heróis que (também) encheu os meus sonhos. Blueberry e Buddy Longway, para mim, surgiram mais tarde, Tex (para desgosto do José Carlos Francisco), só em anos recentes, outros heróis menores (na dimensão que ocupam na história da BD) por lá passaram também mas deixando marca menos impressiva.
Assim, quando antevi a possibilidade de reencontrar Spring, numa edição com esta qualidade, para mais no preto e branco original, preferido por Jijé em detrimento da cor mais comercial, não hesitei. E o mínimo que posso dizer é que valeu a pena. Porque o reencontro com este herói da minha juventude, não destruiu nada da imagem que a minha memória guardava e ainda acrescentou a (re)descoberta de um clássico incontornável da 9ª arte.
Apesar de se considerar mais desenhador do que argumentista, a verdade é que Jijé, neste western, revela dotes mais do que suficientes para prender o leitor ao longo das narrativas, diversificadas dentro de alguns dos habituais estereótipos do género, bem conseguidas e consistentes, graças também ao seu ritmo acelerado, muitas vezes trepidante, devido à riqueza e variedade de planos e enquadramentos utilizados por Jijé.
Por isso não se compreende porque por vezes recorreu a outros colegas de profissão (Goscinny, Rosy…) até porque, apesar de aceitar os seus pontos de partida, no decurso dos álbuns acabou sempre por seguir o seu instinto, para desagrado deles.
As histórias incluídas neste tomo, as primeiras de Spring, revelam já um protagonista sólido e bem definido e um fio condutor sólido e credível, apesar de ligeiras discrepâncias menores, e mostram como Jijé soube beber nas suas inspirações (narrativas e gráficas) embora dotando a sua personagem de roupagens originais.
Desde logo, pelo carácter humanista de Jerry, cowboy romântico por excelência, gentleman por baixo da pele (não muito grossa) de homem do Oeste, como comprovam várias situações em que opta pelo diálogo e não pela violência, pela compaixão e não pela brutalidade desnecessária. E, também, pelo humor patente ao longo dos relatos, presente em muitos dos diálogos de Jerry ou, por exemplo, pela cobiça despertada por Ruby em todos aqueles com quem o herói se cruza em “Lune d’Argent”.
Se o protagonismo pertence ao americano – por vezes herói a solo dos relatos – a seu lado está quase sempre o mexicano Pancho que com ele forma um dueto (fisicamente) equiparável a muitos outros existentes na BD, pois Jerry é alto e atlético, enquanto Pancho é baixo e gorducho. No entanto, Pancho actua menos como contrapartida cómica e (bem) mais como verdadeiro parceiro, revelando, muitas vezes, mais bom senso e experiência, e contribuindo assim para salvar(-se e a)o amigo de situações limite.
O desenho de Jijé, mesmo sujeito a prazos apertados e ao seu excesso de trabalho – era então o faz-tudo da revista Spirou e das edições Dupuis – se foi traçado a pincel com rapidez e celeridade, não o denota, revelando antes um desenhador por excelência que, felizmente, a BD foi roubar à pintura. A planificação adoptada, com apenas três tiras por prancha, frequentemente ocupadas com uma única vinheta, deixa o seu desenho respirar e ajuda mesmo a realçar as suas principais qualidades: um traço elegante, ágil e muito dinâmico, e uma excelente utilização de manchas de negro utilizadas com mestria para guiar os olhos do leitor e destacar na brancura da página os pontos principais da acção.
Jijé sente-se tão à vontade com a figura humana – sejam os protagonistas delgados ou rechonchudos, novos ou velhos, homens ou (bonitas) mulheres - como no desenho de (soberbos e imponentes) cavalos. Nos cenários, em que montanhas e planícies tomam a primazia a aglomerados urbanos, adivinha-se que Jijé os conheceu e percorreu (durante uma viagem aos Estados Unidos), conseguindo transmitir-lhes uma aura realista e uma credibilidade que o recurso ou a “prisão” a documentação fotográfica muitas vezes não permite. Este aspecto contribui decisivamente para a solidez realista deste western, o que não invalida que o herói ganhe sempre no final, por muitas provas e atribulações que tenha de atravessar. Como aliás convém!

A reter
- Já o escrevi algumas vezes (e disse-o muitas mais), mas não me canso de o repetir: estou rendido aos volumes “integrais” francófonos. Pela irrepreensível qualidade gráfica, pela relevância e diversidade da documentação incluída (esboços, capas originais, arquivos de base, fotos, contextualização histórica da obra, etc.), pela importância das obras reproduzidas, pelo preço acessível. E também, neste caso concreto, “tout-court” pelo valor sentimental que Jerry Spring tem para mim. Não admira que tenha cada vez mais tomos destes na minha biblioteca…
- A qualidade do traço de Jijé, pormenorizado, rico, ágil, dinâmico, apesar de sujeito aos prazos apertados e à rapidez de execução. Por isso, se justificam as palavras de Derib (autor de Buddy Longway): “sou o único a considerar Jijé o maior desenhador de bandas desenhadas realistas?”.

Curiosidades
- Estreado em Portugal no “Cavaleiro Andante”, logo em 1956, em Portugal Jerry Spring passou também pelas páginas do “Zorro”, “Spirou” (1ª e 2ª séries) e “Selecções BD” (2ª série), para além do já citado “Mundo de Aventuras”. Quatro dos álbuns escritos e desenhados por Jijé - El Zopilote, Pancho em Apuros, Cavalos de Montana e Lobo Solitário - foram editados a cores pelas Edições 70, entre 1983 e 1984.
- Assistente de Rob-Vel, de quem herdou Spirou, Jijé privou (e trocou experiências e ajuda nos trabalhos quando os prazos apertavam) com Morris e Franquin, tendo um certo Jean Giraud dado os primeiros passos na BD no seu estúdio, em pranchas deste mesmo Jerry Spring, cuja influência gráfica é bem notória nos primeiros álbuns de Blueberry.
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