Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

31/01/2011

J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga

#69 – Atentado no Texas
#70 – O Grande Mar de Relva

Giancarlo Berardi, Maurizio Montero (argumento)
Laura Zuccheri (desenho)
Mythos Editora (Brasil, Agosto e Setembro de 2010)
135 x 178 mm, 132 p., pb, brochado, mensal, 4,00 €

Resumo
Julia Kendall desloca-se à pequena cidade de Wylmeth, no Texas, por motivos que só mais tarde nos serão relatados, sendo recebida com desconfiança e pouca hospitalidade pelos habitantes locais.
Começa assim mais uma delicada investigação da criminóloga, que a levará a enfrentar situações limite que nunca viveu.

Desenvolvimento
Há bandas desenhadas (filmes, romances) que recordamos não pelo todo, mas por uma ou outra cena marcante ou que, pelo menos, nos marcou especialmente. Pela cena em si, porque evocou alguma memória pessoal ou apenas porque naquele momento estávamos mais receptivos àquele acontecimento ou àquela mensagem.
Foi o quer aconteceu comigo em relação a este díptico de Julia.
Iniciando-se com o extenso (e quase mudo) mas pacífico relato da chegada da criminóloga a Wylmeth, no Texas, que ocupa mais de uma dezena das pranchas iniciais e que serve também para nos ambientarmos e nos apercebermos de algumas particularidades locais – a desconfiança para com os estranhos, a pouca hospitalidade… - a acção dispara depois, a partir da última vinheta da página 18 – e com ela a adrenalina do leitor - com a cena da (ameaça) de violação de Julia.
É uma sequência (de novo) longa (de novo quase muda), mas não gratuita nem desnecessária, em que a (extrema) exposição e a (extrema) violência (basta a situação em si…) não vão além do bom senso ou do bom gosto – por muito estranho que isto soe… - mas são suficientes para chocar o leitor, para mexer com os seus sentimentos, pela forma como sentimos o terror puro da (involuntária) protagonista. Até pela (incapacidade de) reacção de Julia após o seu agressor se retirar.
É uma sequência longa, sim, que serve acima de tudo para credibilizar Julia, enquanto personagem forte e humana, mas com todas as fragilidades das mulheres (dos seres humanos) comuns.
Uma cena que me marcou e pela qual recordo esta história, pese embora uma outra (longa) sequência, também muito bem conseguida, aquela que faz a transição entre as duas edições, na qual Julia e o xerife local ficam presos sobre os escombros da esquadra local e na qual a criminóloga revela também sentimentos bem humanos e reais. Uma sequência em que a realidade e as angústias (in)conscientes de Julia se combinam e se confundem, de forma particularmente feliz, até pelo traço impressionista utilizado nela por Laura Zuccheri.
São duas sequências chave, marcadas pela tensão, pela angústia, pelo medo, sendo estes sentimentos transmitidos através do uso de grandes planos dos rostos e pela constante mudança de enquadramentos, o que ajuda a potenciar o seu efeito ao longo do tempo (real) que as cenas duram.
Na base da narrativa, que apresenta como curiosidade desenrolar-se numa cidadezinha quase parada no tempo, que evoca cenários (e mesmo algumas sequências) de (autêntico) western, incluindo uma perseguição a cavalo (!) completamente alheios ao que é tradicional na série, está a descoberta de um assassínio, em cuja origem teria estado – aparentemente – o ódio racial.
Como habitualmente sólida e bem construída, a história irá ter diversas inflexões, revelar outras pistas e acabar por revelar tensões não ultrapassadas e relacionamentos não resolvidos como origem de tudo.
Por tudo isto, é um policial com tudo para prender o leitor que facilmente poderá ser levado por pistas falsas que tornam (ainda) mais conseguido o desfecho final, com algumas surpresas mas uma grande consistência.


Nota
A edição #69 de J. Kendall - Aventuras de uma criminóloga está actualmente nas bancas portuguesas, devendo a edição #70 ser distribuída em meados do mês de Fevereiro.

(Texto publicado originalmente a 29 de Janeiro de 2011 no Tex Willer Blog)

30/01/2011

Selos & Quadradinhos (21)

Stamps & Comics / Timbres & BD (21)

Tema/subject/sujet: O 3º Milénio / The 3th Millennium / Le 3e Millenaire
Autor/author/auteur: Jean-Claude Mezières
País/country/pays: Terras Austrais e Antárcticas Francesas / French Southern and Antarctic Lands / Terres Australes et Antarctiques Françaises
Data de Emissão/Date of issue/date d'émission: 2000

29/01/2011

Zaneta Jasaityte na Mundo Fantasma

Data: 29 de Janeiro a 6 de Março de 2011
Local: Galeria Mundo Fantasma, loja 510, Centro Comercial Brasília, Porto
Horário: de 2ª a sábado, das 10h às 20h: Domingo das 15h às 19h


A galeria Mundo Fantasma inaugura hoje às 17 horas, a sua primeira exposição de 2011. Intitulada The True Story of Dite, é composta por ilustrações originais da lituana Zaneta Jasaityte, que estará presente na inauguração e teve participação activa na sua concepção.
Possuindo um Mestrado em Artes Plásticas da Universidade da sua cidade natal, depois de uma passagem pela ESAD - Escola Superior de Artes e Design de Matosinhos, ao abrigo do programa Erasmus, Jasaityte revela nos seus trabalhos um experimentalismo e uma multidisciplinaridade que reflectem o seu interesse por diversas áreas como moda, pintura, design, fotografia ou ilustração.
Para além da parti-cipação em exposições colectivas e individuais na Lituânia, Polónia, Alemanha, Portugal, Grã-Bretanha, Itália, Eslováquia, França, Hungria, Áustria, Espanha, e tendo algumas das suas obras sido integradas no espólio de colecções institucionais e privadas desses países, a artista lituana tem visto trabalhos seus publicados em revistas como a brasileira Zupi, a espanhola Index Books ou a portuguesa Search.

(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 29 de Janeiro de 2011)

28/01/2011

Au Nom du Fils (Ciudad Perdida)

Première Partie
Serge Perrotin (argumento)
Clément Belin (desenho)
Futuropolis (França, 5 de Janeiro de 2011)
215 x 290 mm, 48 p., cor, cartonado, 15,00 €

Resumo
Trabalhador num estaleiro naval, Michel Garandeau ouve na rádio a notícia de que uma das organizações terroristas da Colômbia acaba de raptar um grupo de turistas ocasionais. Exactamente na zona onde o seu filho Étienne esteva…
Chegado a casa, o cerco (o circo…) montado pelos media dá razão aos seus piores temores. E, face aos parcos esclarecimentos do Ministérios dos Assuntos Estrangeiros, decide deixar tudo e partir à procura do seu filho.

Desenvolvimento
Mas desenganem-se desde já aqueles que adivinham no resumo que atrás ficou escrito uma grande aventura no melhor estilo franco belga, a la Greg ou a la Charlier. Apesar do resumo poder dar essa ideia, este é antes de mais um relato humano, até intimista. Sobre amor paternal, laços familiares, sentimentos, a própria concepção do mundo (do mundo de Garandeau, pelo menos…).
Desde logo, porque Garandeau não é um aventureiro de chapéu à cowboy na cabeça e chicote ou pistola à cinta, é sim um homem simples, que nunca se afastou mais de umas (poucas) dezenas de quilómetros da sua cidade natal, nunca andou de avião e não fala línguas estrangeiras. Um homem de trabalho, com uma vida dedicada ao estaleiro onde passa os dias e à família (a mulher, o filho, Étienne), que por isso, também por isso, não pode deixar de atender ao apelo urgente que sente dentro de si de deixar tudo e partir em busca do filho.
Mesmo que, nunca tenha compreendido o desejo de viajar de Étienne, agora com 23 anos - que facilmente se percebe ser o seu) que, após concluir os estudos feitos em paralelo com o seu trabalho no estaleiro, decidiu gastar os cinco anos de salário recebidos num longo périplo de um ano pelas terras da América do Sul com que sonha desde a infância, desde a(s muitas re) leitura(s) de… «Tintin no Templo do Sol».
Parte, apesar da (ou devido à?) pressão dos media, sempre ávidos de situações trágicas e pungentes, que rejeita; parte, principalmente, porque compreende ocas e vazias as falinhas mansas e lindas palavras que as autoridades francesas lhe dizem.
Por tudo isso, ainda, Garandeau parte sozinho, entregue a si próprio – à sua ignorância, à sua simplicidade, à sua crença nos outros (e são vários aqueles que o vão ajudar no início – quase tantos quantos os que se vão aproveitar dele…) – narrando nas notas que vai escrevendo, à mulher e a nós, leitores, o que lhe vai acontecendo, as situações por que vai passando. De forma simples, às vezes ingénua, às vezes ele próprio não compreendo (toda a dimensão, todas as razões, todas as implicações do que lhe acontece).
Nessa busca, sem dúvida dolorosa, também iniciática, vai descobrindo um mundo diferente que desconhecia (até existir), percebendo um pouco - percebendo aos poucos - o que moveu o seu filho, as razões da sua ida, da sua viagem. Na sua peugada, percorre os mesmos caminhos, cruza-se com algumas das mesmas pessoas, estabelece aos poucos o seu itinerário, ansiando estar assim a aproximar-se de Étienne.
Ao longo dessa busca, vai questionando tudo : a si próprio, a educação que deu ao filho, como se relacionou come ele, a forma (limitada) como viu sempre o mundo… Um pouco à deriva, à medida da mudança dos sentimentos que vai experimentando: medo, desespero, angústia, cólera, desânimo, culpabilidade, respeito, força, crença, perseverança…
No final deste primeiro tomo, a meio do díptico previsto, não sabe ainda o destino filho – tão pouco, sequer, se ainda está vivo… -, não sabe ainda – possivelmente nem nisso pensou – como o vai encontrar, onde o vai encontrar, se o vai encontrar, como o vai recuperar…
Mas os autores, com um relato sentido, emotivo e credível, com textos equilibrados e contidos – que mais do que expor levam o leitor a intuir. Muitas vezes questionando-se a si próprios… - já conquistaram os leitores, já os fizeram partilhar a dor com aquele pai, já os encheram de simpatia pela sua busca algo louca, algo ingénua.
O traço de Belin, submetido ao omnipresente verde da selva colombiana, algo agreste, por vezes próximo do caderno de viagens, se é verdade que não deslumbra, é de uma grande legibilidade, funciona muito bem no conjunto das pranchas, acabando por se tornar agradável no conjunto e é suficientemente expressivo para nos mostrar, nos fazer sentir o que sente – vai sentindo – Garondeau.

A reter
- A força e a emoção contida que emanam do relato.
- A sua originalidade.

Menos conseguido
- Este é o tipo de obra que dá vontade de ler de uma só vez, num só livro, que custa ter que aguardar alguns meses (ou mais) pela sua conclusão…

27/01/2011

Angoulême 2011

Começa hoje, decorrendo até domingo, a 38ª edição do Festival de Banda Desenhada de Angoulême, o mais importante evento europeu do género, ultrapassadas que foram algumas dificuldades relacionadas com o seu financiamento.
O evento - uma experiência obrigatória e única para quem gosta de banda desenhada - vai decorrer sob a égide de Baru, galardoado com o Grande Prémio no ano transacto, cuja obra será objecto de uma mostra antológica. Do seu vasto programa de exposições salientam-se ainda “Parodies”, que aborda a forma como a BD tem parodiado artes como a pintura, a literatura ou o cinema, “Génération Spontanée”, que apresenta a nova geração de autores belgas e “Peanuts, 60 anos”, com uma montagem lúdica a apelar a visitas familiares.
A programação do Festival (que pode ser consultada na íntegra aqui), que durante quatro dias duplica a população da cidade, transformando-a numa imensa festa dos quadradinhos, inclui encontros com autores, concertos musicais, um ciclo de Cinema e BD e diversas outras exposições, de todos os géneros e para todas as idades, espalhadas pelos locais tradicionais e também por outros mais improváveis, como cafés e hotéis.
Quanto à presença portuguesa, que em anos recentes tem sido relevante com vários autores a rumarem a Angoulême para apresentarem os seus portefólios aos editores, este ano deverá estar reduzida à editora independente El Pep, que mais uma vez terá um stand no espaço dedicado à BD alternativa, onde apresentará as suas edições mais recentes: os colectivos “Setan Seitan Scum” e “The Lisbon Studio Mag #2”, “Março Anormal”, de Tércio de Vina, e “Mocifão, dia a dia com azia”, de Nuno Duarte. Este último estará presente em Angoulême, bem como Miguel Falcato e o editor Pepedelrey.

(Texto publicado no Jornal de Notícias de 27 de Janeiro de 2011)

500

Esta é a quingentésima (!) mensagem que coloco neste blog.
Ao longo de quase 2 anos - 21 meses, 619 dias - sucederam-se aqui (diversas) centenas de livros e revistas, dezenas de exposições, algumas entrevistas, alguns desabafos. Uns textos mais inspirados que outros (sem dúvida), uns mais motivadores que outros também (para quem escreve, para quem lê).
Ao longo deste tempo tentei partilhar aqui a paixão pelos quadradinhos que tenho desde a infância e que há muitos anos me move. Como estímulo, tenho quase uma centena de seguidores e (bastantes) mais visitas diárias. Gostaria, é verdade, de ter mais reacções (mais comentários) de quem me lê, mas, confesso, que também falho (muito) neste aspecto quando visito outros blogs.
Ao longo destes 21 meses, As Leituras do Pedro tornaram-se para mim um (agradável) vício diário, obrigando-me a ser um leitor mais atento e a regrar e disciplinar a minha escrita.
Quanto a esta nota serve apenas para dizer que As (minhas) Leituras do Pedro vão continuar, com as inflexões e reflexões que os livros me inspirarem.

26/01/2011

Terceto Fantástico

O Quarteto Fantástico, o mais conhecido super-grupo da banda desenhada, acaba de perder um dos seus membros, mais exactamente Johnny Storm, o Tocha Humana.
A morte, há muito anunciada pela Marvel que fez dela um acontecimento mediático, aconteceu na revista Fantastic Four #587, ontem posta à venda nos EUA. A edição, que chegará no final do mês às lojas especializadas nacionais, onde as encomendas têm sido superiores ao habitual, foi posta à venda um dia mais cedo do que o previsto, dentro de um saco plástico preto, para que ninguém pudesse antecipar qual dos elementos do Quarteto iria falecer. Isso não impediu que a editora, que já garantira que não haverá reimpressões deste número, desvendasse o segredo aos principais órgãos de informação dos Estados Unidos, que ontem deram destaque ao acontecimento.
Criado em 1961 – completará 40 anos em Novembro próximo – por Stan Lee e Jack Kirby, o Quarteto Fantástico, formado por Reed Richards (o sr. Fantástico), a sua esposa Sue Storm (Mulher Invisível), o seu irmão Johnny Storm (Tocha Humana) e Bem Grimm (Coisa), tinha como aspecto distintivo, apesar dos seus poderes, ser uma família com problemas comuns: desentendimentos internos, contas para pagar, etc. Ao longo da sua existência, alguns dos seus elementos foram pontualmente substituídos por outros super-heróis, mas a equipa original voltou sempre a unir-se.
Agora, o futuro está em aberto. Após a conclusão da actual saga “Three”, escrita por Jonathan Hickman e desenhada por Steve Epting, a revista Fantastic Four terá ainda mais um número em Fevereiro, dando lugar a “FF #1”, a lançar em Março, que alguns interpretam como”Future Foundation”, uma referência à fundação que Reed Richards tem vindo a construir. Hickman, que também escreverá “FF”, disse “agora, vamos elevar os outros três e a família em geral e continuar com a história que queremos contar”.
Quanto a Joe Quesada, editor chefe da Marvel, abriu já a porta a um eventual regresso do Tocha Humana,: “Se o Tocha Humana vai regressar ou não, isso é algo que só o tempo poderá dizer. Não sei dizer se ele vai voltar ou quando vai voltar mas posso garantir que, se acontecer, vai ser muito interessante e diferente do que todos esperam”.
E, de certeza, mais um acontecimento mediático para ajudar às vendas da Marvel, que alguns adivinham para o já próximo número 600 da revista, cujo futuro exacto no entanto se desconhece, pois Tom Brevoort, vice-presidente da Marvel disse que o “#588 será o número final de Fantastic Four. Depois disso, ainda não estamos preparados para dizer o que vamos fazer ao certo. Mas não haverá a revista 589”.


(Versão revista e aumentada do texto publicado no JN de 26 de Janeiro de 2011)

25/01/2011

Captain America – A Little Help

Tim Ursiny (argumento)
Nick Dragotta (desenho)
Marvel -
Digital Comics Unlimited (EUA, Janeiro de 2011)
11 p., cor


A Marvel anunciou a 12 de Janeiro uma nova história do Capitão América que trata de um tema delicado e que, infelizmente tem estado em destaque nos Estados Unidos, o suicídio.
Trata-se de “Captain America – A Little Help”, uma banda desenhada de 11 páginas, praticamente sem qualquer texto, escrita pelo psicólogo Tim Ursiny e desenhada por Nick Dragotta.
Quando a história começa, conhecemos um jovem que, deprimido pela morte do pai, as fracas notas, as frequentes ausências da mãe e o abandono da namorada decide acabar com a vida, lançando-se do alto de um prédio.
Só que, no momento em que vai saltar, o edifício é abalado por um enorme estrondo. Ao levantar-se, ainda aturdido, vê o capitão América a defrontar um grupo de inimigos, entre os quais um robot gigante. No decurso do confronto, o super-herói apenas consegue levar de vencida os seus adversários graças à ajuda providencial do potencial suicida que, caindo em si, decide ligar para a Linha de Prevenção de Suicídios.
Quando anunciou a história, Tom Brevoort, vice-presidente da Marvel afirmou: “Os super-heróis travam muitas batalhas, mas poucas são mais importantes do que combater o suicídio”. E acrescentou, “se pelo menos uma pessoa ligar para este número, em vez de tentar algo trágico, então já teremos sido bem sucedidos.”
A banda desenhada pode ser lida gratuitamente no site da Marvel, em Digital Comics Unlimited, e também está disponível em aplicações para IPAD, iPhone e iPod Touch. Para além disso, foi incluída na antologia “I Am An Avenger #5”, esta semana posta à venda nos EUA.
Esta não é a primeira vez que a Marvel disponibiliza os seus heróis para combater problemas sociais. Há alguns anos, por exemplo, o Homem-Aranha e o Quarteto Fantástico protagonizaram “Hard Choices”, uma banda desenhada, de tom mais juvenil, que visava prevenir o uso de álcool por adolescentes.
Para além disso, anualmente, os mais famosos personagens da Marvel juntam-se aos “verdadeiros heróis, os homens e mulheres do exército norte-americano” nos seus locais de combate, em missões narradas em revistas que são distribuídas gratuitamente aos soldados americanos destacados noutros países.

(Texto publicado no Jornal de Notícias de 16 de Janeiro de 2011)

24/01/2011

Leituras de Banca - Janeiro 2011

Títulos que já estão ou estarão em breve disponíveis nas bancas portuguesas, sendo que entre eles há quatro novidades a destacar.
A primeira – que As Leituras do Pedro aconselham - é o Tex Gigante #22 – Seminoles (Mythos), escrito por Gino D’Antonio e desenhado por Lucio Fillippuccio, sobre o qual pode saber mais aqui.
Quanto à Panini, enviou para as bancas nacionais duas novas revistas, Universo Marvel (ver comentários abaixo, que reinicia a sua numeração) e Universo DC, que veio substituir Superman & Batman, recentemente cancelada. Estes novos títulos, tal como Avante Vingadores, seguem o modelo de 148 páginas por número, não sendo por isso agrafados mas tendo lombada quadrada. Universo Marvel inclui histórias de Hulk, Elektra, Quarteto Fantástico e Demolidor, enquanto que Universo DC, publica histórias conjuntas de Superman e Batman, Supergirl, Superboy e da Mulher-Maravilha. Um senão, o preço algo amargo de 6,20 €.
Finalmente, Vampire Knight marca a estreia da Panini no nosso país no género manga. É uma criação de Hino Matsuri, que no Brasil já vai no 11º volume, tendo cada um deles cerca de 200 páginas e custando 6,00 euros.

Panini
Manga
Vampire Knight #1

DC Comics
Batman #91
Liga da Justiça #90
Superman #91
Universo DC #1







Marvel
Avante Vingadores #41
Homem-Aranha #102
Os Novos Vingadores #77
Universo Marvel #1 (ver comentários abaixo)
Wolverine #66
X-Men #102






Turma da Mónica
Almanaque do Cascão #22
Almanaque do Cebolinha #22
Almanaque da Mônica #22
Almanaque Turma do Astronauta #7
Cascão #43
Cebolinha #43
Chico Bento #43
Grande Almanaque de Férias #8
Magali #43
Mônica #43
Ronaldinho Gaúcho e Turma da Mônica #43
Turma da Mônica – Colecção Histórica #18
Turma da Mónica – Saiba mais #34 – Meio Ambiente
Turma da Mônica – Uma aventura no parque #43
Turma da Mônica Jovem #25

Mythos
J. Kendall – Aventuras de uma criminóloga #69 – Atentado no Texas

Mágico Vento #98 – Lições de guerra

Tex #463 – Minutos contados
Tex Colecção #255 – O caubói sem nome

Tex Gigante #22 - Seminoles
Tex Ouro #41 – Retorno a Pilares
Zagor #112 – O mistério indígena
Zagor Extra #76 – Nó corrediço

23/01/2011

Selos & Quadradinhos (20)

Stamps & Comics / Timbres & BD (20)

Tema/subject/sujet: Popeye and Play Friends – The Field
País/country/pays: Libéria/Liberia
Data de Emissão/Date of issue/date d'émission: 2002

22/01/2011

Selos & Quadradinhos (19)

Stamps & Comics / Timbres & BD (19)
Tema/subject/sujet: Centenário do Nascimento de Walt Disney/Centenary of the Birth of Walt Disney/Centenaire de la naissance de Walt Disney
País/country/pays: Portugal
Data de Emissão/Date of issue/date d'émission: 2001

Esta é mais uma das raras emissões feitas em Portugal dedicadas à temática Banda Desenhada ou Cinema de Animação.
Deixo uma chamada de atenção para a feliz conjugação nos selos das imagens dos heróis Disney com uma arte tradicional portuguesa, a azulejaria.

This is another one of those rare philatelic issues made in Portugal dedicated to the theme comic book or animated cinema.
I leave a reminder to the happy conjunction of images on the stamps of Disney heroes with a traditional Portuguese art, decorative tiles.

C'est autre des rares émissions philatéliques du Portugal dédié á la bande dessinée ou au cinéma ou d'animation.
Je laisse un appel à l'heureuse conjonction des images sur les timbres des héros Disney avec un art traditionnel portugais, tuiles décoratives.

21/01/2011

Onírica

Beroy (argumento e desenho)
Glénat Espanha (Espanha, Novembro 2010)
166 x 230, 288 p., pb e cor, cartonado, 24,00 €


Resumo
Recompilação integral de quatro álbuns – Doctor Mabuse, 666/999, Ajeno e La Enfermidad del Sueno – de Beroy, um dos autores surgidos no boom que a banda desenhada espanhola viveu nos anos 80.

Desenvolvimento
E nesses anos 80, eu – como muitos outros portugueses apreciadores dos quadradinhos – assinei ou comprei muitas das revistas (e álbuns…) que então pululavam em Espanha: 1984, depois Zona 84, Cairo, Cimoc… Revistas onde, a par dos grandes nomes da BD mundial, eram publicados alguns dos autores mais interessantes e estimulantes de então, como (e cito de cabeça, esquecendo outros tantos) Prado, Torres, Pere Joan, Mique Beltran, Abuli, Bernet, Trillo, Segura, Ortiz, Font, Pasqual Ferry, Carlos Gimenez…. E Beroy.
Agora, ao surgir a oportunidade de (re)descobrir um dos autores mais inquietos – e inquietantes – da sua geração, confesso que hesitei um pouco, temendo que o tempo tivesse deixado a sua marca…
E, sem dúvida, nalguns pontos isso aconteceu. Descrevendo cenários apocalípticos e realidades de pesadelo, quando escreveu estes álbuns, beroy apontava um eventual fim do mundo para o inevitável ano 2000, marco já ultrapassado sem que nada de especial (nos) acontecesse. A par disso, referências a uma “doença sexual” que contribuiria para o fim da humanidade e à (ainda) incipiente realidade informática de então, surgem hoje deslocadas e não fazendo muito sentido. Mas a verdade, é que se tratam de pormenores de somenos importância no conjunto, que não retiram valor nem interesse a estas quatro obras que narram a ascensão ao poder do misterioso Dr. Mabuse, a chegada do Apocalipse, a concretização de uma maldição lançada durante a Guerra Civil Espanhola ou os inquietantes caminhos do sonho.
Porque, fora isso, e pese embora a espaços a utilização de um texto algo excessivo e teatral, estas obras de Beroy mantêm intactas todas as características que chamaram a atenção sobre elas quando foram originalmente publicadas.
A começar, desde logo, pelo clima de pesadelo, a sensação opressiva misto de loucura e angústia que atravessa os quatro relatos, o temor do desconhecido, o ambiente místico e fantástico, o temor descontrolado em relação ao amanhã, a fraqueza do amor face ao horror e à morte… Temáticas incómodas e capazes de provocar angústia, mas que mesmo assim arrebatam o leitor e o levam a mergulhar na realidade aterradora que Beroy imaginou. Como me acon teceu então, como me voltou a acontecer agora.
Tudo tendo por base um traço único que conjuga estilos para (re)desenha espaços e cidades – em especial Barcelona… -, conferindo-lhes uma modernidade que contrasta com os muitos sinais do passado, onde os seres humanos – a maioria meros joguetes nas mãos de uns poucos - parecem quase deslocados e fora do contexto, embora sejam eles – alguns deles – a gerar a acção, a provocar os cataclismos, a invocar seres demoníacos, a gerar autênticos pesadelos acordados para os seus semelhantes. E para nós, leitores.
Por isso, melhor, também por isso, não surpreende que, nas prateleiras das personagens de Beroy, encontremos livros de Poe, Wells, Kafka, Orwell… Juntando-se às influências claras e assumidas de Lovecraft ou Fritz Lang, na construção de um universo grandioso e aterrador de bases sólidas e inquietantes, embora não haja ligação directa entre os quatro relatos apresentados.
Ou, voltando aos livros nas estantes, ainda um deslocado exemplar do Little Nemo de Winsor McCay pois, mais do que o sonho que McCay tão bem ilustrou, este livro aborda (e transborda da sua antítese, o) pesadelo, sendo mais ajustado, até, que fosse esse o seu título.

A reter
- A possibilidade de reler a obra de Beroy, em versão integral, tantos anos depois.
- O magnífico aspecto do objecto livro.
- O dossier final, repleto de estudos, esboços e capas alternativas, bem como de um divertido texto sobre o autor.
- A fabulosa utilização da cor por Beroy, de que se lamenta estar presente apenas numas poucas pranchas, embora seja sem dúvida o seu preto e branco contrastante o que melhor se adequa a pintar os cenários dantescos e as narrativas em que imperam o medo e o terror.
- A nota da página 174, actualizando para 2010 uma nota originalmente datada de 1987, pois é apenas um pequeno pormenor no cuidado editorial que este livro denota. E que devia ser uma constante e não uma excepção…

Menos conseguido
- … o que no entanto não evitou que uma página de
Ajeno (esta aqui ao lado) tenha ficado esquecida fora do livro! Solução, trocar gratuitamente o exemplar incompleto, por um da nova edição em breve disponível.
- O tamanho do álbum, que impôs uma redução excessiva aos originais, tornando difícil a leitura de algumas legendas. Mesmo tendo sido opção do próprio Beroy.

20/01/2011

Spaghetti – Intégrale #1

René Goscinny (argumento)
Dino Attanasio (argumento e desenho)
Le Lombard (Bélgica, 7 de Janeiro de 2011)
222 x 295 mm, 120 p., cor, cartonado, 24,95 €

Resumo

Este é o primeiro dos seis volumes previstos para a reedição integral das aventuras de Spaghetti, o herói criado por Attanasio e desenvolvido por ele e Goscinny, que fez a sua estreia a 16 de Outubro de 1957, nas páginas da revista Tintin.
Neste primeiro tomo, para além de um dossier da autoria de Jacques Pessis, que foca em especial o percurso de Dino Attanasio, estão incluídas 21 histórias curtas, de duas ou três pranchas, até agora inéditas em álbum, e ainda “Spaguetti et l’Émeraude rouge” (1959) e “L’Étonnante Coisière du Signor Spaguetti” (1960).
Nas narrativas curtas, Spaghetti experimenta diversas profissões (guia turístico, cozinheiro, barbeiro, músico, vendedor de tomates…), sempre com resultados catastróficos, apesar da sua boa vontade.
Em “Spaguetti et l’Émeraude rouge”, o herói italiano vê-se na posse de uma esmeralda, aparentemente portadora de uma maldição, que torna o seu possuidor um perigo para aqueles que contacta, surgindo um bando de gangsters que tenta tirar partido desse efeito.
Finalmente, no último relato, Spaghetti encontra-se a bordo de um barco comandado por dois bandidos que têm por objectivo recuperar o seu chefe e um grande saque numa ilha fora das rotas habituais, com o pormenor de cada um dos elementos da equipagem falar uma língua diferente…

Desenvolvimento
Li algumas histórias de Spaghetti, tenho uma mão cheia de álbuns que ele protagoniza e confesso que na minha memória não era mais que uma criação menor de Goscinny, contidamente divertida.
Claro que, quando se fala de “monstros” como Goscinny e se usa como termo de comparação Astérix ou (o melhor) de Lucky Luke, tudo o mais tende a parecer menor e pouco importante. Por isso, também, esta (re)descoberta de Spaghetti foi para mim uma agradável surpresa (e uma agradável leitura), constituindo as histórias, bem ritmada e sem tempos mortos nem acrescentos desnecessários, onde todos os elementos (desenho, diálogos, enquadramentos, pormenores) estão ao serviço do bom humor que nelas impera.
Desde logo, pelo sotaque italiano do protagonista que afecta a sua pronúncia e dá aos diálogos um exotismo e uma musicalidade diferente. Obrigando ao mesmo tempo a uma leitura mais atenta, que ajuda a apanhar melhor as piadas. Depois, pela boa exploração da repetição de situações, algo em que Goscinny era mestre, quase sempre com resultados hilariantes, destacando-se neste particular as histórias curtas (se lidas como um todo) e a primeira BD longa.
Finalmente, pela proximidade que o leitor sente com Spaghetti, um ser comum, bem-intencionado mas trapalhão, que, especialmente na sua fase inicial, enfrenta problemas semelhantes aos que nós também temos.

A reter
- Mais uma vez, a qualidade da edição, em termos gráficos e editoriais, destacando eu, neste último aspecto, a indicação da data e local de publicação de cada história.
- E, claro, a obra em si.
- A possibilidade de descobrir as primeiras histórias de Spaghetti.
- Como já aqui tenho referido várias vezes, uma das vantagens destas edições integrais, são a possibilidade de analisar a evolução das séries. No caso presente, veja-se, por exemplo, como se foram reduzindo os atributos capilares de Spaghetti.

Menos conseguido
- O preço, quando comparada com outras edições integrais francófonas que oferecem mais páginas, custando sensivelmente o memso.

Curiosidades
- Attanasio usou-se a si próprio como modelo para Spaghetti.
- A descoberta, no dossier, de que Attanasio foi o primeiro autor a desenhar Bob Morane em BD. Num estilo realista, portanto.
- A presença, em diversas pranchas, de um minúsculo Spaghetti segurando o respectivo número ou a palavra “Fim”.
- Alguns “visitantes especiais”, também eles então heróis da revista “Tintin”, que surgem na última prancha de “Signor Spaghetti fait du cinéma”: Modeste, Pompom, Prudence Petipas…

Spaguetti em PortugalSpaghetti fez a sua estreia em Portugal em 1965, na revista Zorro #157, como a história “O rali do senhor Macarrão”, sendo este último Spaghetti, e tendo Pomodoro sido rebaptizado como… Ravioli!
Regressaria quatro anos depois, já na revista Tintin, onde foi presença regular ao longo dos anos, incluindo o número especial anual de 1978, embora nunca tenha sido um dos seus heróis de referência.
Apesar disso, a divertida criação de Attanasio e Goscinny teria diversas edições em álbum no nosso país, a começar por dois títulos na Íbis – “A Vida Dupla de Pomodoro” e “Spaghetti na Feira”- entre o final dos anos 1960 e o início da década seguinte.
Mais tarde, em meados da década de 80 do século passado, a Distri voltaria ao simpático italiano, com quatro títulos: “Spaghetti em Veneza”, “Spaghetti em Paris”, “O tesouro da Pirâmide” e “Viva Spaghetti”.
Finalmente, já no ano passado, Spaghetti protagonizou o segundo álbum da colecção “Clássicos da Revista Tintin”, lançada pela ASA juntamente com o jornal Público, que continha três aventuras: “Spaghetti e os quadros a óleo”, “Encontro de ciclistas” e “Spaghetti em Paris”.
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