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28/03/2012

Thorgal















A ASA em parceria com o jornal Público vai começar na próxima semana uma nova colecção de banda desenhada dedicada a Thorgal. Publicada semanalmente à quarta-feira, terá no total 16 álbuns de capa dura, todos inéditos em português, correspondentes aos volumes 14 a 29 da série original.
O primeiro custará 4,90 €., sendo o preço dos restantes 7,90 €. Os títulos anunciados são os seguintes:

Aarícia
O Senhor das Montanhas
Loba
A Guardiã das Chaves
A Espada-Sol
A Fortaleza Invisível
A Marca dos Banidos
A Coroa de Ogotaï
Gigantes
A Jaula
Aracnéa
A Peste Azul
O Reino sob a Areia
O Bárbaro
Kriss de Valnor
O Sacrifício

Thorgal, que há poucos dias completou 35 anos, pois a sua estreia deu-se a 22 de Março de 1977, no Tintin belga, é um dos maiores sucessos da banda desenhada de aventuras francófona, cujos efeitos se fazem sentir até hoje.
Apesar de aparentemente ambientada no tempo dos vickings – recriado de forma bem credível – em Thorgal há alguns traços distintivos que o afastam dos cânones tradicionais daquele género.
Desde logo pelo seu tom fantástico. Último sobrevivente de uma antiga civilização terrestre que um dia partiu para as estrelas, regressando mais tarde ao nosso planeta, Thorgal Aergisson, nas aventuras iniciais, a par da sua vida entre os vickings que o acolheram em bebé, encontra os seus compatriotas, o que confere à série um interessante tom anacrónico.
Depois, há nesta banda desenhada um marcante tom místico, com o protagonista a visitar mundos estranhos e outras dimensões, incluindo o reino da morte e o lar dos deuses.
Isto não diminui, pelo contrário, o tom aventuroso, a acção a rodos e a adrenalina sempre em alta, com desfechos inesperados e acontecimentos muito marcantes – incluindo a morte de protagonistas e um longo período em que Thorgal perde a memória e assume uma identidade completamente díspar – que surpreendem e abalam o leitor.
Por outro lado, em contraste com tudo isto, Thorgal, apesar de ser um guerreiro extraordinário, prefere uma pacata vida familiar, tentando evitar a acção e os problemas que constantemente vêm à sua procura. Por isso, ao longo dos álbuns, casa com Aarícia, envelhece, tem três filhos – Jolan, Louve e Aniel que, devido à origem extraterrestre do pai têm alguns poderes extraordinários - que vão assumindo parte do protagonismo, evocando, de alguma forma, com as muitas diferenças que facilmente se reconhecem, uma outra grande saga dos quadradinhos, o Príncipe Valente.

Criação de Jean van Hamme, sem dúvida um dos melhores, mais originais e inventivos argumentistas que a banda desenhada francófona de aventuras conheceu, as aventuras de Thorgal estão divididas por ciclos que, se não são estanques, permitem a leitura independente, sem necessidade de conhecer os restantes.
Graficamente, a evolução de Rosinski é notável. Depois de um início num registo semi-caricatural, servido por um colorido algo psicadélico, progressivamente o traço torna-se cada vez mais realista ao mesmo tempo que é apurado o trabalho de cor, que se torna cada vez mais importante na definição dos ambientes. A mudança é marcante a partir do quinto álbum, “Au-delà des ombres”, excedendo-se Rosinski sucessivamente num virtuosismo incomparável, que terá o seu auge, numa fase posterior, quando passa a realizar os álbuns numa técnica de cor directa.

Em Portugal, Thorgal estreou-se na revista Tintin #1301, a 17 de Maio de 1980, com o episódio “A feiticeira traída”. Regressaria a esta revista perto do final desse ano com “A ilha dos mares gelados” (#1321), que curiosamente o “Mundo de Aventuras” #362 publicara a preto e branco um mês antes! “Quase o paraíso” (#1503), já publicado no Mundo de Aventuras (#387) foi a terceira e última presença de Thorgal no Tintin, enquanto aquela outra revista apresentou aos leitores portugueses, sucessivamente, até 1984, diversos episódios curtos e longos: “Os três velhos do país de Aran” (#430), “A galera negra” (#458), “O drakkar perdido” (#504), “O Talismã” (#529) e “Para além das sombras” (#540). No que a publicações periódicas diz respeito, o herói haveria de passar ainda pelas páginas das Selecções BD (2ª série), em 1999/2000, onde foram publicadas três histórias curtas: “As lágrimas de Tjahzi” (#6), “A montanha de Odin” (#12) e “Primeiras neves” (#26).
Em álbum, a vida deste filho das estrelas em terras portuguesas foi também algo atribulada. O episódio inaugural, “A feiticeira traída”, foi editado pela Bertrand, em 1983. Seguiu-se a Futura, com “A ilha dos mares gelados” (1988) e “Os três velhos do país de Aran” (#1989).
Já este século, a ASA lançou sucessivamente “O filho das estrelas” (2002), “Alinoë” (2003), “Os arqueiros”(2005) e “O país Qâ” (2006). Os dois primeiros títulos editados pela ASA seriam reunidos num único volume, em 2008, no número inaugural da colecção “Grandes autores de BD”, lançada em parceria com o jornal Público.

Após o término da colecção agora anunciada, ficarão inéditos em Portugal os tomos #4 (“A galera negra”, distribuído entre nós na edição brasileira da VHD diffusion, nos anos 90) a #6 e #11 a #13, sendo que a ASA prevê editar os três últimos até meados de 2013.
Por editar, claro está, ficarão também os tomos 30 a 33, escritos por Yves Sente, que substituiu Van Hamme quando este decidiu abandonar a série, nos quais o protagonismo é partilhado entre Jolan e Thorgal.
De fora ficam igualmente as séries derivadas genericamente intituladas “Les Mondes de Thorgal”, onde já foram publicados dois volumes protagonizados por Kriss de Valnor, uma das grandes inimigas de Thorgal, da autoria de Yves Sente e Giulio De Vita, e um com as aventuras de Louve, a filha de Thorgal e Aarícia, por Yann et Surzhenko.


5 comentários:

  1. Respostas
    1. Olá Nuno!
      Bem aparecido sejas!
      Sim, é uma grande notícia, em especial para quem não tem a edição francesa...
      Boas leituras... de Thorgal!

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  2. Anónimo4/4/12 05:03

    Caro Pedro:
    Muito a propósito e bem documentada esta súmula bibliográfica. Mas talvez seja interessante acrescentar que o "Mundo de Aventuras" foi a revista que apresentou as aventuras de Thorgal com capas inéditas, realizadas por Augusto Trigo (excepto num único caso), o que a distingue das demais publicações.
    Um abraço do
    Jorge Magalhães

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    Respostas
    1. Caro Jorge Magalhães,
      Obrigado por este complemento ao meu texto.
      lembro-me bem dessas capas do Augusto Trigo, ou não fosse na época o Thorgal uma das minhas séries preferidas do Mundo de Aventuras.
      Um grande abraço!
      Boas leituras... sejam as capas de autores portugueses ou não!

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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