Este blog está correctamente escrito em português, à revelia do triste acordo ortográfico em vigor.

31/08/2013

Melhores Leituras – Agosto

Agosto, mês de férias, o que no meu caso – estranharão muitos! – significa menos leituras, trouxe, mesmo assim, edições que merecem atenção redobrada.
Antes da habitual listagem, no entanto, uma referência para a colecção As mais divertidas histórias da Mônica, que está a ser distribuída aos domingos com o Jornal de Notícias e o Diário de Notícias que, não tendo tido até agora nenhum volume excelente, tem em todos eles histórias marcantes que justificam – se necessário fosse - o lugar que a Mônica e a sua Turma alcançaram.


Balcão Trauma
Álvaro
Insónia

Death Note #5 – Recomeço
Tsugumi Ohba e Takeshi Obata
Devir 


Marco Mendes
Turbina/Mundo Fantasma 


Super-Heróis DC Comics #5 - Joker
Alan Moore, Brian Bolland, Brian Azzarello e Lee Bermejo
Levoir/Público 


vvaa
Goody

The Walking Dead #6 - Esta triste vida
Kirkman, Adlard, Rathburn
Devir 


Tex Ouro #64 – A tragédia do trem 809
Boselli e Marcello
Mythos Editora 


Les Personnages de Lucky Luke et la véritable histoire de la conquête de l’Ouest
Vvaa

Sophia Publications

30/08/2013

Largo Winch











Fiz em poucos dias a releitura de Largo Winch, em modo quase integral.
Série que Van Hamme (re)criou em BD a partir dos seus próprios romances, embora seja à acção pura e à adrenalina ao máximo que normalmente dá a primazia, tem o mundo da finança como pano de fundo, pois Largo Winch é o herdeiro e director de um imenso grupo financeiro internacional.
Isso dá à série um toque diferente pois muitas vezes a acção é desencadeada por operações financeiras – que Van Hamme explica de forma sóbria, acessível e correcta para situar o leitor - e está ancorada em acontecimentos (económicos) reais que marcaram o panorama financeiro mundial à data de escrita dos álbuns (publicados desde 1990).
Apesar disso Largo, com apenas 26 anos, é um anticonformista por natureza, que gosta de resolver (todos) os seus assuntos de forma pessoal e que prefere viajar pelo mundo em auxílio daqueles com quem se foi cruzando na sua juventude, raramente recorrendo às autoridades, num mundo repleto de intrigas, traições e corrupção.
Deixando de fora apenas os volumes 11 a 14 – dos 16 já editados em França – este regresso a um dos grandes sucessos comerciais das últimas duas décadas no mercado franco-belga serviu para constatar que o todo tem uma assinalável unidade, que contrabalança e compensa largamente alguns exageros de uma banda desenhada típica de aventura e acção.
Sempre rodeado de belas mulheres, geralmente em trajes reduzidos – esta foi uma das séries responsáveis pelo recente embargo da Apple à plataforma europeia de BD Izneo – embora algumas delas com participação directa na origem das histórias ou no seu desenvolvimento, Largo tem como seu braço direito o suíço Simon Ovronnaz, um homem de acção, ex-condenado e também apreciador do belo sexo.

Com a acção a passar rapidamente de Wall Street para a luxuriante selva birmanesa, das ruas de Hong Kong para a típica Veneza, de Paris para águas internacionais, cada álbum – geralmente agrupados em dípticos auto conclusivos – é uma sucessão de cenas em velocidade acelerada, onde as surpresas e os volte-faces se sucedem a um ritmo implacável, deixando o leitor sem fôlego.
Graficamente, a evolução do traço realista de Francq, que foi ganhando em naturalidade e movimento, em detrimento de alguma rigidez excessiva no início, tornou a série cada vez mais agradável aos olhos, para o que também contribuem sobremaneira a conseguida paleta de belíssimas cores, a conseguida recriação de cenários, sejam eles urbanos ou naturais e, evidentemente, a atraente galeria feminina.
 
Apesar de muito maltratado em Portugal – mais um caso, infelizmente – Largo Winch teve os três primeiros tomos editados pela Bertrand, os volumes #5, #6 e #15 com a chancela da Gradiva e o díptico constituído pelos episódios #7 e #8 editado num único volume na colecção Os Incontornáveis da Banda Desenhada, da responsabilidade da Asa e do jornal Público.

29/08/2013

The left gang bank









Jason
Fantagraphics Books
EUA, 2005
180 x 250 mm, 48 p., cor, brochado com badanas
$US 12,95


A história passa-se em Paris, França, no início da década de 1920. Os seus protagonistas são F. Scott Fitzgerald, Ernest Hemingway, Ezra Pound, James Joyce…
Artistas (e) boémios, invejosos uns dos outros, amantes de longas conversas, belas mulheres e bom vinho. De comum a todos, serem criadores de excepção, nem sempre – raramente? – reconhecidos pelo seu génio e pelos seus méritos, bem expressos nas obras que criam… em banda desenhada, a arte que impera neste universo paralelo perfeitamente reconhecível.
Por isso não surpreende que na primeira parte deste relato, que serve de apresentação e para o leitor se integrar, abundem as referências literárias com os quatro amigos a discutirem qualidades e defeitos das personagens todas parecidas de Dostoevsky ou as vinhetas demasiado cheias de Faulkner…


Depois, sensivelmente a meio do relato – movidos pelas necessidades materiais que a sua arte não consegue suprir – há uma mudança de agulha, transformando esta bem conseguida metáfora gráfica num policial puro, que tem por base um assalto a um banco levado a cabo por aquele quarteto. Planeado e executado ao pormenor, acabará no entanto por esbarrar no individualismo de cada um, no egoísmo das suas companheiras e nas sucessivas traições que o leitor – rendido e de surpresa em surpresa - irá descobrir, num final em crescendo, que o norueguês Jason quase despojou por completo de texto escrito, deixando à sua linha clara característica o ónus de concluir esta bem conseguida narrativa.


28/08/2013

Parceiros improváveis
















Scooby-Doo, o cão medroso que a animação celebrizou nas décadas de 70 e 80, vai regressar em Novembro, na forma de banda desenhada. A surpresa é o parceiro desse regresso: Batman.

“Scooby-Doo Team-Up” é o título dessa nova revista bimestral, editada pela DC Comics, na qual o cão e os seus amigos Fred, Daphne, Velma e Shaggy partilharão o protagonismo de cada aventura com outros heróis da BD e da animação. No número inicial, escrito por Sholly Fish e desenhado por Dario Brizuela, aliam-se ao Homem-Morcego e a Robin para tentarem capturar um Morcego Humano.
Criado em 1969 por Joe Ruby e Ken Spears, numa série animada produzida pela Hanna-Barbera, Scooby-Doo já se tinha cruzado com Batman nos desenhos animados por três vezes.
Esta parceria improvável, no entanto, não é única nem sequer a primeira nas páginas dos quadradinhos. O mesmo Batman, numa versão vitoriana, também já se deparou com o célebre Jack o Estripador, numa aventura soturna desenhada por Mike Mignola, criador de Hellboy. O Homem-Morcego, entre parceiros e adversários, entre outros já partilhou páginas desenhadas com Spawn, Drácula, Spirit ou Tarzan.
Quanto ao senhor da selva, para além de dividir perigos e emoções com outras criações de Edgar Rice Burroughs, como John Carter de Marte ou os habitantes de Peluccidar, o mundo pré-histórico existente no centro da Terra, teve que enfrentar neste último o Predator do filme homónimo.

Essa não foi a única vez que os quadradinhos foram buscar inspiração e protagonistas ao cinema ou à televisão, para duetos tão inverosímeis como os que reuniram os X-Men com a tripulação de Star Trek, o Lanterna Verde com os Aliens, o Joker (adversário de Batman) com a Máscara, Mars Attack com Popeye (!) os Simpsons com os protagonistas de Futurama ou os agentes de X-Files frente aos vampiros de 30 Dias de Noite. Ou, como cúmulo do género, como uma verdadeira epidemia, agrupando num único comic, naturalmente intitulado “Infestation”, Transformers, Star Trek, GL Joe, Ghostbusters e CVO.
De regresso aos super-heróis, há outros encontros que os quadradinhos guardaram. Nos anos 80, celebrizaram-se alguns crossovers entre as editoras rivais Marvel e DC Comics. Datam dessa altura as aventuras conjuntas entre o Super-Homem e o Homem-Aranha, Batman e Hulk, Demolidor ou Capitão América, X-Men e Novos Titãs ou Vingadores e Liga da Justiça, ou, no que aos vilões diz respeito, entre Darkseid e Galactus. De comum a todas, a estrutura da história que começa por antagonizar os super-heróis envolvidos, para depois os unir frente a uma ameaça maior.
O Homem de Aço tem também no seu currículo uma série de encontros inesperados com Astérix, Bugs Bunny, He-Man, Jerry Lewis ou até Muhammad Ali. Nesta última, os dois protagonistas defrontam-se num combate de boxe orquestrado por extraterrestres que acabam por ser derrotados quando os dois se unem. Célebre ficou a capa dupla da edição original, que mostra o ringue com os dois contendores rodeados de um público entusiasta onde se encontram desenhadas mais de centena e meia de celebridades do cinema, música, desporto, política, etc.
Se os europeus neste campo se revelam mais conservadores – até porque os heróis geralmente pertencem aos seus criadores e não às editoras – dentro do universo Bonelli Dylan Dog, Martin Mystère, Mister NO e Nathan Never já protagonizaram algumas aventuras a dois.
Outros casos há, não tão directos mas igualmente evidentes, que usam artimanhas como a utilização de nomes de som semelhante para contornar complicados direitos autorais.
Corrado Mastantuono narrou o encontro do Pato Donald e do Professor Pardal com um certo Denden e o seu cão Piciou, os gémeos Dipent e Dipend, o Capitão Hadciuk ou o professor Doposole, inspirando-se claramente nos heróis de Hergé.
Recorrente, também, é a presença de super-heróis “derivados” da DC Comics e da Marvel em histórias da Turma da Mônica.
Neste âmbito, no ano passado, em “Tesouro verde”, a selva amazónica assistiu ao encontro entre a versão jovem dos heróis de Maurício de Sousa e Kimba, o leão branco, AstroBoy, Safiri e outros heróis criados pelo japonês Osamu Tezuka, concretizando um sonho antigo dos dois criadores, que acabou por não se concretizar devido à morte prematura do criador japonês.


(Versão revista do texto publicado no Jornal de Notícias de 24 de Agosto de 2013)

27/08/2013

The Walking Dead #5 e #6

A melhor defesa / Esta triste vida



  








Robert Kirkman (argumento)
Charlie Adlard (desenho)
Cliff Rathburn (tons cinzentos)
Devir (Portugal, Março e Junho de 2013)
168 x 258 mm, 136 p., pb, brochado com badanas
14,99 €


Apreciador de The Walking Dead, quer na versão original aos quadradinhos, quer na versão televisiva, entendendo (e aceitando pacificamente) as diferenças inerentes a dois meios narrativos díspares, com públicos diversos, onde divergem avanços e recuos, o tratamento de algumas personagens – em termos de relações, introdução e supressão – e o timing de acontecimentos determinantes, após estes dois volumes – mais especificamente após o tomo #5 – confesso-me integralmente rendido à BD e entendo que esta deu um passo impossível à televisão pela regras do meio e pela necessidade (financeira) de alargar ao máximo o espectro de espectadores (que têm sido muitos).
O motivo, é o grau de violência explícita atingido nestes dois tomos em que é introduzido o Governador – figura tutelar na 3ª temporada televisiva – e em que existe o primeiro face a face entre ele, Rick e Michone. Violência essa – cujos efeitos não vou referir para não privar os leitores do “murro no estômago” que eu levei – que surge de forma natural no contexto e na definição da personagem e que justifica plenamente o antagonismo – o ódio mesmo - entre as três figuras citadas, algo que na série televisiva não surgiu com tanta credibilidade.
Só por isso, a leitura destas dezenas de páginas já se justificava, mas a mestria de Kirkman, construindo e expandindo o universo caótico que criou, é outro motivo maior para nos demorarmos nas páginas destes dois volumes, no qual continua a explorar relações, tensões, situações ambíguas e momentos dramáticos, que ganham especial importância na situação limite experimentada pelos sobreviventes da epidemia de mortos-vivos, no espaço a que voluntariamente se confinaram e onde a ilusória liberdade rima de forma dramática e traumática com o termo prisão que desde sempre o designou.



26/08/2013

Leituras Novas - Agosto de 2013

Os textos, quando existem, são da responsabilidade das editoras, com alteração para a grafia pré-Acordo Ortográfico da responsabilidade de As Leituras do Pedro.
Algumas das edições aqui apresentadas podem ter sido editadas anteriormente,
mas só agora tomei conhecimento delas.

Associação Turbina/Mundo Fantasma
Marco Mendes 


Devir
The Walking Dead #6 – Esta Triste Vida
Kirkman, Adlard e Rathburn
Ainda presos pelo Governador, Rick, Michonne e Glenn são torturados e tentam sobreviver à sua estadia em Woodbury. E, apesar de conseguirem fugir ao sadismo do Governador, a segurança do grupo de Rick não é garantida.
Terão que se apressar para avisar os restantes companheiros que estão escondidos na prisão que têm vizinhos e que estes não são nada amigáveis...

Death Note #6 – Toma lá, dá cá
Ohba e Obata
Embora tenham reunido uma grande quantidade de provas que ligam os sete membros do bando Yotsuba ao Kira mais recente, Light, L e o resto da equipa de investigação não estão mais perto de descobrir qual deles está na posse do Death Note. Desesperado para obter algum tipo de vantagem, L pede a Misa para se infiltrar no bando e lhes passar informação calculada para fazer Kira aparecer.
Mas o deus da morte Rem revela a Misa quem são os Kiras, e, armada com essa informação, Misa está disposta a fazer tudo o que estiver ao seu alcance para ajudar Light.
Mas isso deixa L numa situação delicada…

Viagem Medieval em Terra de Santa Maria
D. Afonso II em Terra de Santa Maria 


Edição de Autor
Topedro 



Edições Online

Olindomar Estúdio (Angola) e Grupo Extractus (Portugal)
De Angola, Bocolo Daniel, Hermenegildo Pimentel, Júlio Pinto, Tiago Abrantes e Nelo Tumbula (autor da prancha ao lado), do Brasil, Marcelo D’Salete e de Portugal, Joana Afonso, Rita Vilela, Álvaro, J. Mascarenhas e GEvan

Nelo Tumbula, Altino Chindele, Tiago Abrantes, Olímpio e Lindomar de Sousa (Angola), Wander Antunes (Brasil), Sai Rodrigues (Cabo Verde), Zorito Chiwanga (Moçambique), Paulo Monteiro, Andreia Rechena, Rita Vilela, Ines Myuuhailurusu Freitas, Miguel Mendes e Cristina Sá (Portugal) 



The Lisbon Studio


24/08/2013

A arte de... Brüno















Tyler Cross
Fabien (argumento)
Brüno (desenho)
Dargaud
França, 23 de Agosto de 2013
240 x 320 mm, 96 p., cor, cartonado
16,95 €

23/08/2013

50 edições Disney Goody


Com a chegada às bancas, quiosques e demais locais de venda, hoje, da Hiper #9, a Goody atinge a marca de 50 edições ao fim de (apenas) nove meses, um número de todo não desprezável, mais a mais nos tempos que correm.
São meia centena de edições divididas pelos dois títulos regulares – a Comix, semanal, e a Hiper, mensal – a que se juntam três edições extra: Hiper Especial Grandes Exploradores, Disney Especial Verão e Disney BIG #1  (que se anuncia trimestral).
Com boas tiragens, entre os 25 mil e os 45 mil exemplares, e vendas assinaláveis, para este regresso em força das bandas desenhadas protagonizadas por Patinhas, Donald, Mickey, Pateta, Metralhas e demais heróis Disney, contribuiu uma publicidade agressiva que proporcionou uma boa visibilidade nos locais de venda, através da utilização de cartazes, cartões em algumas das edições e outros materiais publicitários.
Para assinalar o marco, deixo aqui todas as capas destas 50 edições, à espera das próximas 50! 


  
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 


 
 
 
 





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