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20/04/2017

Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa

Aversão





Nunca fui fã de histórias de super-heróis.
Continuo a não ser – embora os leia cada vez mais e muitas vezes com prazer.
Histórias como esta estão na origem dessa aversão.

Rebobinemos um pouco. Em 1992, (o departamento de marketing d)a DC Comics teve uma ideia genial: matar o Super-Homem. Numa época em que os super-heróis (ainda) não morriam (às dúzias como actualmente), até o contexto parecia justificá-lo: o grande defensor de Metrópolis estava em queda vertiginosa no que à preferência dos leitores dizia respeito e, consequentemente, as vendas das suas revistas também.
A dita cuja história, que se estendeu ao longo de vários títulos e números, reuniu por isso o necessário necessário para despertar uma campanha mediática sem igual no que à BD dizia respeito. Capas, reportagens, entrevistas… sucederam-se, bem como as edições especiais e de coleccionador.
Bem espremida, a história resumia-se de forma simples: dois seres superpoderosos – Super-Homem e Apocalipse – trocavam socos ao longo de dezenas de páginas e no fim morriam. Ponto final.
Ou antes, reticências…
Porque… Depois da morte do herói, veio o funeral, vieram os substitutos e, inevitavelmente, chegou a ressurreição. O mais natural, era que o épico (!?) confronto acabasse por ser reeditado. Aconteceu – infelizmente - como podemos ler (?) neste volume.
Depois de pairar pelo espaço, amarrado a um asteróide, Apocalipse desperta em Apokolips, lar de Darkseid e, com um inesperado aliado, acaba por enfrentar um Super-Homem até aí atormentado por pesadelos recorrentes sobre o regresso à vida do monstro. Antes disso, há ainda lugar para uma longa explicação sobre a origem da ameaça e para inesperadas alianças, tudo recheado com introspecção, misticismo, considerações metafísicas, sacrifícios em nome do bem maior e sei lá que mais. Até chegarmos – inevitavelmente – a nova e extensa batalha entre o monstro revestido a pedra e o herói de Kripton, qual Sansão com os seus longos cabelos (!!)…

Super-Homem & Apocalipse: Caçador e Presa
Colecção No Coração das Trevas DC #7
Dan Jurgens (argumento)
Brett Brending (desenho)
Levoir/Público
Portugal, 20 de Abril de 2017
170 x 260 mm, cor, cartonado
9,90 €

(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

11 comentários:

  1. Não​ tinha ideia que o Pedro, no geral, não era fã de super heróis. Pelas leituras que faço ao blog sempre me pareceu 100% eclético.

    Filipe Simões

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    1. Filipe,
      Cheguei tarde aos super-heróis (por causa de histórias como esta...) e não estiveram entre as minhas primeiras escolhas durante anos.
      Hoje (como também escrevo), leio cada vez mais super-heróis e gosto de parte do que leio, porque tento fugir aos estereótipos do género. Por isso, para mim, os dois melhores títulos desta colecção são O Grande Golpe de Selina e Amor Louco...
      E, sim, tento ter leituras o mais ecléticas que é possível.
      Boas leituras!

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    2. Compreendo. Penso que há certos tipos de histórias que criam um vínculo mais afectivo com o leitor se as personagens começarem a ser lidas na infância.

      Provavelmente, não teria tanto gosto em ler Spirou, Lucky Luke ou Homem Aranha de só tivesse descoberto essas bandas desenhadas agora.

      Boas leituras!
      Filipe

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    3. Sim, Filipe, há obras que lemos na infância/adolescência que por isso se tornam especiais e pelas quais nutrimos um carinho que nos permite ignorar os pontos fracos que têm...
      Mas, explicando o que escrevi no outro comentário, cheguei tarde aos comics de super-heróis por vontade própria, porque o que fui lendo na tal infância e adolescência, nunca me cativou.
      Boas leituras!

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  2. Pedro fiquei perdido. Este texto pretendeu ser uma divulgação do título, uma crítica ou uma mera opinião? Estive a ler o título e sinceramente é bastante potável, mais compreensível que o evento da Morte do Superman e está longe de ser um dos piores comics que já li. É dos anos 90, logos temos um cabelo à Buckamann do Baywatch. Mas é bom, leitura agradável.

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    1. Lendo o texto parece-me mais um desabafo...

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    2. Este comentário foi removido pelo autor.

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    3. Exatamente este e muito melhor que a morte que é um grande combate de boxe nas ruas de Metropolis e Arredores,mesmo o Funeral tem cenas interessantes como Lex Junior a vangloriar-se no túmulo do Super.E o regresso tem 2 Supers que marcaram aquela época Aço e Superboy,e o Mistério do Superciborgue a destruição de Coast City.Ou a Busca do Pai Kent pela alma do filho adoptivo em Alem da Morte.
      Esta historia serve para explicar por exemplo porque o Apocalipse tem tanto odio pelo Kryptonianos,como acabou a usar aquelas roupas no arco da morte,ainda agora no Action Comics Rebirth Path of Doom usaram cenas da a homenagear a morte e e um belo arco.

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  3. Fernando,
    A divulgação, faço-a quando utiliza a nota informativa que as editoras disponibilizam (as que o fazem...).
    O meu texto - como todos os que eu escrevo sobre obras que leio - são sempre meras opiniões. A minha opinião, no momento em que o escrevo.
    Crítica? Recensão? Neste caso gostei do 'desabafo' proposto aqui pelo Anónimo!
    E se está longe de ser o pior comic de super-heróis que li - e sei que não li assim tantos... - também está longe de ser uma obra que eu aconselhe. A não ser, eventualmente, pelo seu interesse 'histórico'.
    Quanto A Morte do Super-Homem é pior, concordo, mas isso não valoriza este...
    Boas leituras!

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    Respostas
    1. Estou completamente de acordo. Faltou-me o termo desabafo :-)
      Mas só para concluir: esta lógica é o motor da venda de super-heróis. Eu da Morte ao Regresso quando tinha 15 anos. Nessa altura parece-me bom, mas nunca considerei algo do outro Mundo.
      Agora vejo como um produto do seu tempo, os loucos anos 90. Nesse sentido este acaba por ser narrativamente melhor, em termos de ilustração é fraco e mostra porque a indústria de comics de super-heróis cria histórias que mais parecem soap-operas que são esquecidas em 3 tempos.
      Abraço

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  4. O que mais gostei, quando li, pela primeira vez, esta história (penso que ainda foi a A/CJ que a publicou num formato "especial": tamanho "normal" e papel diferente) foi a bela arte do Dan Jurgens (?).
    De resto, o argumento é digno de um filme B...

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