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03/05/2017

Onde caem os homens

A abrir o apetite



A notícia da nova colecção ASA/Público, Airborne #44, surgida há cerca de 15 dias, foi uma surpresa pela aposta numa série conhecida de poucos e elevou as expectativas, em especial junto dos leitores de franco-belga, nos últimos tempos quase órfãos de edições do seu género preferido.
O primeiro volume, apesar de algumas indefinições, parece justificar a escolha.
Datado de 2009, Onde caem os homens abre Airborne 44, uma série que funciona à base de dípticos. Tendo como cenário maior a II Guerra Mundial, a acção deste primeiro livro decorre nas Ardenas, em Dezembro de 1944, durante uma das batalhas decisivas para a resolução do conflito.
Embora alguns dos aspectos históricos sejam fundamentais para justificar o enredo de Onde caem os homens, a verdade é que mais que uma história de guerra – e elas marcaram uma época na história da BD – esta é uma história de seres humanos apanhados pela guerra. Melhor, Onde caem os homens é um conjunto de histórias cruzadas de gente que teve o azar de estar no local errado na hora errada. Sejam eles o desertor alemão – incorporado à força - com importantes segredos que todos procuram; o soldado – voluntário – americano, único sobrevivente da sua companhia; os dois pequenos franceses a quem a guerra parece ter prazer em oprimir; a jovem que em tempos teve aspirações artísticas e que contra todas as expectativas consegue manter a sua pequena quinta a funcionar, como um pequeno oásis onde todos irão aportar para que o drama possa atingir a sua máxima proporção. Porque, mais uma vez o destino – ou neste caso Jarbinet por ele – gosta de brincar com os pobres seres humanos e com as suas emoções, provocando reacções, despertando sentimentos que não se poderão expressar, provocando partidas e chegadas, baralhando o que já era de si confuso e imponderável.
Falta saber – no segundo volume, à venda na próxima sexta-feira – se a forma como o autor vai desatar o nó que apertou nas últimas páginas deste livro, irá satisfazer plenamente as expectativas até aqui criadas.
A edição da ASA, que encerra com um dossier que explica o contexto histórico de Airborne 44 - mesmo sem a lombada com desenho tão ao gosto dos coleccionadores - merece uma referência especial, pela capa dura e, principalmente, pelo generoso formato que valoriza o traço realista e detalhado, trabalhado em cor directa por Jarbinet, que apresenta uma rigorosa reconstituição de época e um bom trabalho ao nível da representação do ser humano.

Airborne 44
#1 Onde Caem os homens
Jarbinet
ASA/Público
Portugal, 28 de Abril de 2017
240 x 320 mm, 56 p., cor, capa dura
8,90 €

(imagens da edição francesa, recolhidas no site da editora Casterman; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

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