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26/10/2017

Hanuram: A Fúria

Em português, outra vez





Depois de TLS Series - que abriu com Cidades e segue este mês com Silêncio - a parceria ComicHeart/G. Floy faz nova aposta na BD nacional, desta vez com Hanuram.
Se em ambos os casos a ambição é grande, é inegável que é também diferente.

As colectâneas de histórias curtas dos membros do The Lisbon Studio, dirigem-se em primeiro lugar - acho que posso escrevê-lo - aos leitores de BD mais especializados, embora a presença de nomes mais ‘mediáticos’, por via da sua edição no estrangeiro, nomeadamente na Marvel, como Filipe Andrade ou Jorge Coelho, possa servir de ‘isco’ a outros públicos.
Já Hanuram, apresenta-se como primeiro tomo de uma série, algo que a banda desenhada nacional poucas vezes conheceu.
E, para o bem e para o mal, tem como principal pecha a ausência de algo em que a BD franco-belga se especializou: a capacidade de apresentar primeiros volumes muito fortes, que geralmente deixam o leitor a salivar por mais. O que é imprescindível num mercado concorrencial e saturado como é aquele. [como, com as devidas distâncias, começa de alguma forma a ser o nacional…?]
O que não quer dizer que Hanuram não consiga, de forma diferente, um efeito similar.
Esta compilação de três histórias, distanciadas no tempo - o que é evidente - faz-nos um - demasiado breve, tal é o ritmo narrativo imposto - intróito ao universo da série (escrevi-o outra vez…), baseado numa mitologia coerente e consistente e na peregrinação do protagonista que lhe dá nome, um ‘bárbaro’ irascível e amante da violência que, por algum motivo que desconhecemos - que continuamos a desconhecer após a leitura - irritou os deuses que decidem vingar-se dele. Dessa vingança, parecem fazer parte todos os seres com quem se cruza, sejam eles guerreiros, monstros da neve ou o que mais venha a aparecer, e que Hanuram se encarrega de despachar de forma simples e duradoura.
Com um traço impressivo e especialmente à vontade nas cenas de acção, realçadas pelas tomadas de pontos de vista originais (e pelo formato maior utilizado no livro), Hanuram lê-se de uma só vez, deixando dúvidas e incertezas que o leitor espera ver respondidas com brevidade.

Hanuram: A Fúria
Disponível também em versão inglesa, Hanuram: The Fury
Ricardo Venâncio
ComicHeart/G. Floy
Portugal, Julho de 2017
185 x 28o, 48 p., cor, capa dura.
ISBN: 978-84-16510-36-8 (versão portuguesa)
978-84-16510-37-5 (versão inglesa)
11,99 €


(imagens disponibilizadas pelas editoras; clicar nelas para as aproveitar em toda a sua extensão)

1 comentário:

  1. Concordo 100% com a análise. Um primeiro volume interessante mas não muito forte em termos de agarrar o público "pelos colarinhos", fazendo-o salivar pelo seguinte.
    Se fosse de um autor estrangeiro não comprava mais nenhum. Sendo português, continuarei a comprar. Assim os editores e o autor continuem a publicar.

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