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11/04/2018

Bonelli, o outro nome da BD popular






Durante décadas - cuja produção é hoje apreciada e elogiada - a banda desenhada - para o bem e para o mal - foi eminentemente popular.
Sendo que ‘popular’, neste contexto, significa tanto o seu fácil acesso - nos jornais, no início - quanto a capacidade de proporcionar distracção e divertimento.
O selo Bonelli é, hoje, um dos últimos bastiões desta banda desenhada ‘popular’.
Porque as suas edições - a maioria delas - continua a ser de baixo preço, leitura acessível e resposta directa às exigências dos seus leitores. Em edições de formato moderado e papel razoável - maiores e melhor, respectivamente - do que aquele a que nos habituaram os ‘formatinhos’ brasileiros - de preço (também) moderado e boa distribuição. E, com uma qualidade média - no que a argumentos e desenhos diz respeito - muito interessante, ainda mais assinalável quando se sabe que falamos de revistas mensais com mais de uma centena de páginas, em que os autores se sucedem para garantir esse ritmo.
Identificada comummente com Tex - que este ano festeja 70 anos de publicação ininterrupta - a banda desenhada Bonelli baseou-se, primeiramente, em heróis recorrentes e infalíveis, ao gosto dos leitores. Identificou-os graficamente com os actores de cinema que as pessoas (re)conheciam, inspirou-se em muitos filmes dos quais fez variações desenhadas, ao longo dos tempos moldou-se a modas e gostos, acompanhou temáticas em alta - dinossauros, extraterrestres, conspirações em grande escala... - numa evolução lenta e gradual que nunca colocou em causa a essência dos protagonistas, a sua imagem de marca, as suas características distintivas. Esta assertiva opção editorial garantiu durante décadas - continua a garantir - vendas muito interessantes, fidelizou leitores - o quase fanatismo (no bom sentido) de alguns é surpreendente, para mais nos dias de hoje - e foi dessa forma capaz de atrair para as suas páginas, para projectos pontuais ou para as edições regulares, autores de nomeada, de créditos firmados e reconhecidos, como Toppi, Bernet, Breccia, Kubert, Font ou Ortioz.
Alguns heróis - e no caso da Bonelli, o termo é mesmo este, ‘heróis’ - viram passar o seu tempo, outros vieram ocupar o seu lugar, alguns - Ken Parker, Julia... -‘atreveram-se’ a deixar o pedestal da infalibilidade e a identificar-se - completa e humanamente - com os seus humanos leitores.
Por tudo isso, falar de banda desenhada Bonelli - os ‘fumetti’ (quase) por excelência - significa abrir uma porta para uma realidade vasta e diversificada, onde todos poderão encontrar propostas ‘à sua medida’, como a colecção que a Levoir disponibiliza em parceira com o jornal Público a partir de amanhã, se encarregará de mostrar àqueles que a queiram espreitar.

O western puro e duro de Tex, o cowboy lendário, justo e infalível, fará a abertura da colecção. Dylan Dog, o único que chegou a suplantar o ranger em vendas e popularidade - cá está ela outra vez! - e Dampyr, percorrem os caminhos do fantástico e do terror. As aventuras deste último, tal como a de Martin Mystère, investigador dos grandes enigmas da humanidade, decorrem mesmo no nosso país, as do primeiro na zona vinhateira do Douro, o segundo nos Açores, na pista da Atlântida.
Le Storie (muito bem referenciada) e Dragonero, são novidades para mim. Mister No, criação de Sergio Bonelli, combina aventura, ecologia e os OVNI em plena Amazónia, no período da Guerra Fria. Para o fim deixei Julia, , a criminóloga de Garden City, presença regular e incontornável neste blog, numa edição desenhada pelo grande Sergio Toppi.
Voltarei semanalmente - voltarei? De boas intenções... - a cada título, de forma mais específica.

Antes da listagem completa, fecho com um paradoxo. Sendo as edições originais Bonelli eminentemente populares, teria sido mais coerente que a edição da Levoir acompanhasse mais de perto esse modelo. Nomeadamente no que ao formato diz respeito, até porque temo que algumas edições - em especial as mais antigas, como é o caso de Martin Mystère e Mister No - sejam prejudicadas pelo maior formato...
Entendo, no entanto, perfeitamente a opção, uma vez que esta colecção - como as restantes que a Levoir - e também a ASA - têm disponibilizado com o jornal Público, se dirigem a um público mais específico e maioritariamente exigente. Sem esquecer que estamos num tempo em que a própria Bonelli - sem olvidar a sua essência - tem procurado outros públicos - com edições mais cuidadas, em melhor papel, coloridas, de grande formato... e que a fidelidade dos leitores mais acérrimos - mas não só... - motivados pela qualidade da edição (e pelas duas capas inéditas, o desenho na lombada...) fez já multiplicar as consultas à editora sobre as condições de vendas desta colecção para o estrangeiro, nomeadamente Brasil e Itália.

A colecção
1. Tex: A lenda de Tex
(Colectânea de histórias curtas)
Argumentos: Manfredi, Burattini, Rauch e Ruju
Desenhos: Biglia, Rubini, Bocci e Tisselli
12 de Abril
136 págs. Cores.
Capa exclusiva e inédita de Stefano Biglia



2. Dampyr: Aventuras em Portugal
Argumento: Mauro Boselli e Giovanni Eccher
Desenhos: Alessandro Bocci e Maurizio Dotti
19 de Abril
200 págs. Preto e branco.





3. Dylan Dog: A Saga de Johnny Freak
Argumento: Mauro Marcheselli e Tiziano Sclavi
Desenhos: Andrea Venturi e Giampiero Casertano
26 de Abril
200 págs. Preto e branco.



4. Julia: O Eterno Repouso
Argumento: Giancarlo Berardi
Desenhos: Sergio Toppi
3 de Maio
136 págs. Preto e branco.



5. Le Storie: Sangue e Gelo
Argumento: Tito Faraci
Desenhos: Pasquale Frisenda
10 de Maio
120 págs. Cores.



6. Tex: A pista dos fora-da-lei
Seguida de O Assassino de ìndios
Argumento: Mauro Boselli e Claudio Nizzi
Desenhos: Carlos Gomez e Andrea Venturi
17 de Maio
216 págs. Preto e branco.



7. Martin Mystére: O destino da Atlântida
Seguida de Assunto de família
Argumentos: Alfredo Castelli
Desenhos: Cardinale, Orlandi e Toppi
24 de Maio
184 págs. Preto e branco.



8. Dragonero: A primeira Missão
Argumento: Luca Enoch e Stefano Vietti
Desenhos: Manuel Morrone e Cristiano Cucina
31 de Maio
136 págs. Cores.



9. Mister No: OVNIS na Amazónia
Seguida de Garimpeiros
Argumentos: Tiziano Sclavi e Guido Nolitta
Desenhos: Fabio Civitelli e Roberto Diso
7 de Junho
136 págs. Preto e branco.
Capa exclusiva e inédita de Fabio Civitelli.



10. Dylan Dog: Os Inquilinos Arcanos
(Colectânea de histórias curtas)
Argumento: Sclavi
Desenhos: Roi, Breccia e Manara
14 de Junho
120 págs. Cores.

Livros de capa dura; Dimensões: 190 x 260 mm; PVP: 10,90 €


(imagens disponibilizadas pela editora; clicar nas imagens para as aproveitar em toda a sua extensão)

8 comentários:

  1. Estou com muito interesse em descobrir este novo "universo"
    Adorei o livro do dylan dog da coleção de graphic novels e fiquei com muito interesse em ler mais...
    Quais são os melhores titulos desta coleção?

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  2. " os ‘formatinhos’ brasileiros - de preço (também) moderado e boa distribuição"

    lol preço bem puxado e distribuição cada vez pior até que desapareceu juntamente com o Juiz Dreed.
    Só faltava a lombada.

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  3. Shazam,
    Eu gosto muito de Julia. O primeiro Dylan Dog, A Saga de Johnny Freak, é muito bom. Le Storie está muito bem referenciada.
    Dampyr tem a curiosidade de as duas histórias serem passadas em Portugal e lê-se muito bem.
    Martim Mystère (cuja história se inicia nos Açores) e Mister No acusam um pouco a passagem do tempo.
    Não conheço Dragonero nem as histórias curtas do Dylan Dog, mas este último, pelos autores envolvidos, parece-me muito interessante.
    Finalmente, Tex. É um western tradicional, puro e duro. O primeiro volume, foge um pouco a esta linha, mas o segundo mostra o que o ranger realmente é. Imprescindível para quem gosta de western, importante para quem o quiser descobrir.
    Uma das grandes vantagens desta colecção - e da BD Bonelli em geral - é a diversidade temática - western, fantástico, terror, policial, ficção-científica, história... - que permite a cada um escolher em função das suas preferências.
    Boas leituras!

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  4. Faz muita falta a Bonelli entre nós. Ali está muito da essência dos quadradinhos

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  5. Optima colecção que gostaria que tivesse continuação, a exemplo das Novelas Graficas. Por mim vou comprar Dampyr, Dylan Dog, Julia, Le Storie e talvez Dragonero porque sou imune ao virus da lombada :)

    A minha unica critica vai para os volumes de 136 paginas a preto e branco (Julia e Mister No). Olhando para a restante colecção, a regra parece ser cerca de 120/136 paginas para os livros a cores e cerca de 200 paginas para os a preto e branco. A excepção são mesmo estes dois e é pena até porque Julia é sempre de qualidade bem acima da media graças ao talento de Berardi como argumentista. De resto, 5*

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    Respostas
    1. Eskorpiao77,
      Nestas colecções 'uns volumes têm de dar para os outros', para se conseguir um preço final interessante para editor, jornal e leitores.
      No caso da Julia não há histórias curtas, pelo que eram 136 ou 272 páginas!
      Boas leituras!

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  6. Ou eram dois volumes de Julia.
    Bem merecia. :-)

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  7. Espero também, que a colecção tenha bastante sucesso. No mínimo,o sucesso das novelas gráficas, que já vai na 3ª serie e com uma 4ª serie a caminho. Por mim, vou comprar toda a colecção Bonelli(e não é por causa da lombada,embora seja bonita) e ficar com a esperança que,se tiver sucesso, pro ano haja mais outra serie Bonelli. E, desta feita,com os titulos que ficaram de fora nesta serie.

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